Bolsa Família atende quase um em cada quatro brasileiros
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terça-feira, 21 de agosto de 2007
Marta Salomon<br>Folhapress 
Brasília - O Bolsa Família, principal programa de transferência de renda do governo federal, atende quase um em cada quatro brasileiros, segundo estudo divulgado ontem pelo Ministério do Desenvolvimento Social.
O estudo comparou a situação dos beneficiários entre setembro de 2005 quando eram atendidas 7,6 milhões de famílias e março de 2007, nove meses depois de o governo ter alcançado a meta de 11,1 milhões de famílias.
Essa meta coincide com o número de domicílios pobres identificados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e corresponde a cerca de 45,8 milhões de brasileiros, ou 24% da população do país, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No período de quase dois anos e uma eleição presidencial no meio , a clientela do Bolsa Família tornou-se ainda mais urbana. Foram incluídas no programa mais 2,7 milhões de famílias nas cidades, onde os beneficiários passaram de 65,8% a 69,2% do total.
O perfil do programa mostra que beneficiários mantêm outros elevados indicadores de pobreza. Há uma sinalização clara de que é preciso integrar o Bolsa Família a outras políticas públicas de educação, saneamento e habitação, para que as famílias possam sair da situação de pobreza, disse Rosani Cunha, secretária do Ministério do Desenvolvimento Social, responsável pelo programa.
Os indicadores que mais chamam a atenção no estudo são o acesso a saneamento básico e grau de escolaridade.
Apenas 36,4% das famílias beneficiadas pelo programa têm acesso a sistema de esgoto. O saneamento básico avançou em ritmo lento: 2,5 pontos percentuais em dois anos. Atualmente, mais de 2 milhões de famílias lançam esgoto em valas ou a céu aberto.
Também chama a atenção a baixa escolaridade dos titulares dos cartões do Bolsa Família, que geralmente é a mãe. A maioria 6,2 milhões de pessoas ou 56,2% do total não passou da quarta série do ensino fundamental; os analfabetos somam 1,8 milhão. O percentual supera o de responsáveis que não trabalha: 51,2%.
Em quase quatro anos do programa, 1,4 milhão de famílias já tiveram o cartão do Bolsa Família cancelado, abrindo espaço a novos beneficiários ou fazendo o número total de pagamentos cair, nos últimos meses, abaixo da meta de 11,1 milhões de famílias atendidas. Em agosto, a folha de pagamentos fechou com 200 mil benefícios aquém da meta.
Além dos benefícios cancelados, 514 mil encontram-se atualmente bloqueados, sob investigação, e poderão também vir a ser suspensos definitivamente. Segundo Rosani, há um processo permanente de ajuste de foco no Bolsa Família.
O principal motivo de suspensão dos pagamentos, segundo o ministério, é a identificação de renda acima de R$ 120 mensais por pessoa da família.
O ministério registra ainda o desligamento voluntário de cerca de 35 mil famílias, mas a maior parte dos casos refere-se a famílias convidadas a entregar o cartão por algum tipo de irregularidade, como a duplicidade ou renda acima do teto.


