La Paz - Mais de quatro milhões de bolivianos estavam habilitados para ir ontem às urnas nas quintas eleições democráticas consecutivas, realizadas em meio a uma grave crise econômica e com a aparição de novas correntes políticas ligadas a movimentos indígenas.
O presidente, o vice-presidente e os 157 deputados que sairão dessa votação terão que enfrentar uma grave crise econômica, que deixou o Produto Interno Bruto do país de 8,3 milhões de habitantes em sua maioria indígenas em aproximadamente 8 bilhões de dólares anuais.
Com um nível de pobreza de 60%, o impacto da crise argentina e dos problemas do Brasil formam um difícil panorama, um pouco aliviado pelas boas expectativas geradas pela venda das grandes reservas de gás natural do país.
Em seu discurso de inauguração das eleições, o presidente da Corte Nacional Eleitoral (CNE), Luis Ramiro Beltrán, admitiu que ''nunca antes haviam sido realizadas eleições em meio a um contexto de tão aguda crise econômica, de censurável exarcebação da pobreza e de perigosa tensão social''.
Segundo as últimas pesquisas, nenhum dos onze candidatos à presidência obterá a maioria absoluta, por isso será necessária a constituição de alianças para assegurar a governabilidade do país durante cinco anos, assim como ocorreu com os últimos quatro governos.
O candidato melhor posicionado é o ex-prefeito de Cochabamba Manfred Reyes Villa, da Nova Força Republicana, seguido pelo ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, do Movimento Nacionalista Revolucionário, e do também ex-governante Jaime Paz Zamora, do Movimento de Esquerda Revolucionária.
Em seguida vem uma das grandes revelações da campanha, o dirigente ''cocalero'' Evo Morales, do Movimento ao Socialismo, que junto a Felipe Quispe, do Movimento Indígena Pachakuti, terá o maior apoio eleitoral a movimentos de camponeses da história boliviana, com 15%, segundo as pesquisas.
As 20 mil mesas eleitorais abriram às 8 horas (9 de Brasília) e fecharam dez horas depois.

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