São Paulo - O governo reagiu ontem à tentativa da oposição de transformar o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) na ''bola da vez'' da crise política. Essa possibilidade surgiu depois que dois assessores de Bastos admitiram ter participado de uma reunião em que o então ministro Antonio Palocci (Fazenda) comentou a violação do sigilo do caseiro Francenildo Costa. ''Não há nenhuma possibilidade de a crise chegar ao ministro Márcio Thomaz Bastos'', afirmou o líder do PT na Câmara dos Deputados, Henrique Fontana (RS). ''Querer implicar o ministro nesta denúncia é o cúmulo da irresponsabilidade de uma oposição que aposta no clima de desestabilização do país.''
Para o líder do governo, o comportamento ético do ministro não pode ser questionado. ''Durante os três anos e três meses em que o ministro Thomaz Bastos dirigiu a Polícia Federal, houve uma série de investigações delicadas, que envolveram figuras proeminentes, tanto adversários como aliados políticos, e o ministro passou por tudo com absoluto republicanismo'', afirmou Fontana.
Fontana diz que o escândalo não deve afetar as pretensões eleitorais do PT. ''A população está cansada do denuncismo da oposição e prefere comparar os governos do PT e do PSDB'', acrescentou.
Não é o que pensa a oposição. ''A cada nova revelação o governo afunda mais'', afirmou o senador tucano Alvaro Dias (PR). Para Dias, os indícios cada vez mais apontam que houve uma ''decisão de governo'' na quebra do sigilo do caseiro. ''Thomaz Bastos tem de dar explicações sobre a sua participação no episódio'', afirmou Dias. ''Os dois assessores mais credenciados do ministro estavam na casa de Palocci quando chegaram os extratos do caseiro. É evidente que ele tomou conhecimento da violação antes que fosse divulgada.''
O senador avalia que as novas denúncias terão um forte impacto negativo nas intenções de voto do presidente Lula. ''A agressão do governo contra um trabalhador humilde com certeza vai ter um impacto muito grande na opinião pública'', disse.
Os assessores de Bastos implicados no escândalo são o secretário de Direito Econômico, Daniel Goldberg, e ao chefe de gabinete do Ministério da Justiça, Cláudio Alencar. Em depoimento voluntário à Polícia Federal domingo, ambos contaram que estiveram na casa de Palocci em 16 de março. Na ocasião, o então ministro teria revelado que Francenildo recebera depósitos incompatíveis com sua renda mensal e pedido que a PF investigasse o caso. O caseiro havia revelado, na CPI dos Bingos, que Palocci frequentava uma casa em Brasília usada para reuniões com lobistas e festas com prostitutas.
Os dados sigilosos da conta do caseiro acabaram repassados à revista ''Época''. O escândalo da violação derrubou tanto Palocci quanto o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, há uma semana.

mockup