Boca Aberta é acusado de agredir oficial de Justiça; deputado nega


Pedro Moraes e Luís Fernando Wiltemburg - Reportagem Local
Pedro Moraes e Luís Fernando Wiltemburg - Reportagem Local

O oficial de Justiça  Adelino Firmo Corrêa, de 71 anos, registrou boletim de ocorrência na quarta-feira (20) contra o deputado federal Emerson Petriv, o Boca Aberta (Pros) por desacato e injúria. Segundo relato, o deputado cuspiu na cara do agente que o procurou para uma intimação  judicial referente  ao processo criminal decorrente do episódio em que o vereador Amauri Cardoso (PSDB) reagiu com um soco às provocações do parlamentar em março deste ano. 


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. | Arquivo FOLHA
 


Em entrevista à FOLHA, Corrêa informou que chegou pela manhã à casa do deputado, que recusou atendê-lo. No entanto, quando estava saindo do local, Boca Aberta apareceu e perguntou qual era o motivo. Irritado, ao tomar conhecimento da intimação, Boca Aberta teria rasgado o documento e iniciado agressões verbais. Por fim, o deputado foi ao encontro do oficial e cuspiu no rosto de Corrêa, segundo registrou o oficial de Justiça. "Estou há 44 anos em função como oficial de Justiça, eu nunca fui agredido antes. Além de cuspir num idoso, ele ofendeu a Justiça Brasileira." O episódio teria ocorrido em frente à casa do deputado, no Jardim Imagawa, na zona norte de Londrina. 




Apesar de ser um dia normal de sessão da Câmara de Deputados, no registro das votações Boca Aberta estava ausente na quarta-feira. Procurado, o deputado federal negou as acusações, que chamou de fake news. "A imprensa está pegando uma mentira para denegrir a minha imagem. O papel aceita tudo."  Segundo ele, o oficial apareceu na casa do irmão dele e não na dele. Ele ainda rebateu o boletim de ocorrência, acusando o oficial de Justiça de perseguição. (Colaborou Guilherme Marconi)


O Sindijus  (Sindicato dos Servidores do Poder do Judiciário do Estado do Paraná) encaminhou nota à imprensa em repúdio ao episódio.  Veja a íntegra: 


O Sindicato condena e repudia veementemente essa prática e comportamento violento, e conclama a categoria a não aceitar ofensas, e também a denunciar, para que as providências jurídicas sejam adotadas conforme a Lei.



O Sindijus-PR reitera sua posição em defesa de melhores condições de trabalho e de segurança para esses profissionais. Não é de hoje que o Sindicato tem alertado o Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) acerca das más condições de trabalho, bem como dos riscos que os oficiais correm no desempenho de suas funções.


Em toda a história do Poder Judiciário, os Oficiais de Justiça nunca mediram esforços para que a Justiça fosse aplicada, levando ao jurisdicionado a plena satisfação de sua pretensão materializada. Mesmo porque não basta um acórdão ou sentença prolatada, se não existir quem a execute.


A direção do Sindijus-PR se solidariza com o Oficial de Justiça Adelino Firmo Corrêa, que no cumprimento do seu dever foi agredido e teve sua vida colocada em risco durante o cumprimento de um mandado.


“Não é a primeira vez que um Oficial de Justiça de Londrina é agredido no cumprimento de ordem judicial, há relatos que em todo o Estado já ocorreram diversos fatos de agressão, inclusive com maior complexidade contra a vida destes profissionais. Levaremos mais uma vez ao conhecimento do Tribunal para que tome as providências necessárias pela valorização desses servidores”, destaca o diretor Lucinei Guimarães.




Inclusive o próprio Supremo Tribunal Federal (STF) na pessoa da ministra Cármem Lúcia destacou “virar as costas para o oficial de justiça é o mesmo que virar as costas para o Judiciário”.

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