O Congresso viveu ontem a expectativa do aparecimento da lista da votação da sessão que cassou o ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF) e do teor do discurso de renúncia do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), prometido para amamhã. As insinuações de ACM e do ex-senador José Roberto Arruda (sem partido-DF) de que parlamentares do PT teriam participado da operação de obtenção da lista, assim como teriam votado favoravelmente a Estevão, provocaram reações entre os petistas. A senadora Heloísa Helena (PT-AL), por exemplo, prometeu processar por calúnia e difamação ACM e Arruda, caso a lista apareça com o voto dela pró-Estevão.
Outro burburinho que tomou conta do Congresso veio pela disposição do senador Geraldo Althoff (PFL-SC) de fazer uma consulta à assessoria jurídica do Legislativo para verificar se seria possível uma representação ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado contra outros parlamentares que teriam tomado conhecimento da lista com os votos da cassação de Estevão e não tomaram providência. A tese dele é que qualquer um que tenha tido acesso à lista e não agiu incorreu nos mesmos erros que ACM e Arruda.
O principal alvo dessa ação, o líder bloco oposição, senador José Eduardo Dutra (PT-SE), afirmou que, se Althoff tem essa disposição, que aja logo porque ‘‘acabaria logo com essa conversa’’. Para Dutra, o Conselho de Ética é o local adequado para discussões como essa.
Enquanto isso, o parecer do senador Roberto Saturnino Braga (PSB-RJ) está parado na Mesa Diretora do Senado, aguardando a renúncia de ACM. A expectativa era de que o processo tivesse sido encaminhado ao relator do caso na Mesa Diretora, senador Carlos Wilson (PPS-PE), na sexta-feira. Mas, como a assessoria do senador comunicou que haveria a renúncia, a Mesa entendeu que não teria motivo para dar prosseguimento.
Helena desafiou ACM e Arruda a apresentarem a lista de votação da cassação de Estevão. ‘‘Eu espero que eles tenham coragem de falar após a renúncia porque, aí, serão cidadãos comuns que poderão ser processados e eu serei indenizada’’, afirmou. Dutra, por sua vez, disse que não rebaterá insinuações em relação à lista. ‘‘Quem é que garante a veracidade de qualquer lista que apareça?’’

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