Curitiba - A internação do doleiro Alberto Youssef em um hospital de Curitiba, no sábado à tarde, gerou uma avalanche de boatos nas redes sociais na véspera do segundo turno das eleições, que se estendeu até momentos antes do pleito. Diversos internautas, incluindo políticos, replicaram a informação de que a "peça-chave" nas investigações da operação Lava Jato teria inclusive sido envenenado.
Assim que os boatos começaram a se propagar, a Polícia Federal (PF) tratou de desmentir os comentários. Segundo a PF, "são infundadas as informações de possível envenenamento". O órgão ainda completou que "não havendo nenhuma intercorrência (Youssef) retornará à carceragem da PF da Superintendência em Curitiba".
O londrinense precisou de atendimento médico após sofrer uma forte queda de pressão arterial causada por uso de medicação no tratamento de doença cardíaca crônica. Ele está internado em um dos quartos do Hospital Santa Cruz, no bairro Batel, e segue com escolta de agentes da PF. A previsão inicial era de que ele permaneceria em observação no hospital por 48 horas.
O doleiro está detido na carceragem da Superintendência da PF, em Curitiba, há mais de sete meses, e está depondo desde o início do mês conforme prevê acordo de colaboração premiada assinado com os procuradores do Ministério Público Federal (MPF). Na última sexta-feira, a revista Veja trouxe reportagem em que Youssef teria citado, em um de seus depoimentos, os nomes do ex-presidente Lula e também de Dilma Rousseff no escândalo. Na semana passada, políticos tucanos também chegaram a ser vinculados ao doleiro.
Segundo nota oficial da Secretaria Municipal de Saúde que administra o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), "no momento do atendimento, o paciente referiu dor toráxica, sendo dois episódios ao repouso, associados a um episódio de síncope". O hospital também informou, por meio de boletim médico, que Youssef "deu entrada na UTI coronariana às 16h20 de sábado, e chegou com quadro clínico estável, apresentando sinais de desidratação e de emagrecimento importante".
Entretanto, a nota também ressalta que ele "estava consciente, lúcido e orientado, com dados vitais estáveis". A instituição ainda ressaltou, no boletim, que "na avaliação inicial o paciente não apresentava sinais de intoxicação exógena e/ou medicamentosa e quadro cardiológico estável". O boletim assinado pelo diretor da instituição, Arthur Leal Neto, e pelo cardiologista Rubens Zenobio Darwich, também reforça que Youssef "necessita de observação e monitorização contínuas".
Em outras duas oportunidades o londrinense precisou ser encaminhado para um hospital. No dia 7 de abril, após sentir fortes dores no peito, Youssef foi levado até o Hospital Cajuru. A bateria de exames, entretanto, não constatou nenhuma complicação. Posteriormente, no dia 25 de julho, o doleiro sofreu um pequeno infarto na carceragem e, novamente, foi encaminhado para o Hospital Santa Cruz. Desta vez, conforme relatou a defesa do réu na época, ele passou por um cateterismo (exame invasivo para confirmar obstruções das artérias coronárias) e permaneceu em observação na UTI por dois dias.
Youssef tem 47 anos e já teria perdido cerca de 16 quilos desde que foi preso. Ele um histórico de complicações de saúde e, em dezembro do ano passado, teve um infarto do miocárdio.
O doleiro deveria comparecer à sessão da CPMI da Petrobras na quarta-feira, entretanto, ainda não se sabe se ele realmente vai viajar até Brasília ou se uma nova data será escolhida.

mockup