Curitiba - O comandante da Polícia Militar (PM) do Paraná solicitou ontem a transferência do tenente-coronel Valdir Copetti Neves, preso no último dia 5 de abril acusado de tráfico internacional de armas e formação de milícias armadas no campo, para a unidade do Corpo de Bombeiros, em Curitiba. A decisão foi tomada depois de uma série de denúncias anônimas feitas para a corporação de que ele (Neves) teria sido visto nos arredores do Batalhão de Polícia de Guarda (BPGD), tomando café com outros oficiais da PM e andando normalmente como se não estivesse preso.
O pedido foi levado pessoalmente por policiais militares à Justiça de Ponta Grossa. O comandante, coronel David Pancotti, não acredita que as denúncias sejam verdadeiras. Até porque, nenhuma delas foi comprovada por depoimentos formais ou fotografias. Entretanto, ele preferiu afastar o tenente-coronel do BPGD, local que geralmente abriga policiais militares acusados de crimes. ''Não temos nenhuma intenção de proteger qualquer pessoa de dentro ou de fora da corporação que esteja tendo algum tipo de conduta irregular. Todos que não tenham pensamento e propósito voltados para o bem da comunidade serão tratados como manda a legislação e a ordem pública'', pontuou Pancotti.
Nos dois anos que está no comando da PM, Pancotti já denunciou 280 policiais militares ao Conselho de Disciplina. Somente na semana passada, teriam sido 20 policiais rodoviários de uma só vez. ''Vamos passar a limpo a Polícia Militar. Os maus policiais serão excluídos'', declarou. Até ontem, Neves permanecia preso no BPGD, em Curitiba. Ele está alojado num apartamento especial. Neves tem a disposição um rádio de comunicação limitada com os plantonistas do BPGD para eventuais emergências.
Ele não teria telefones celulares à disposição. Apenas usaria normalmente o telefone público instalado dentro das dependências do Batalhão. O comandante do BPGD, coronel Ramires, tirou férias regulares de 30 dias. Ele deverá pedir licença especial assim que as férias vencerem. O advogado criminalista Cláudio Dalledone Júnior, que defende Neves, foi procurado ontem pela Folha, mas não foi localizado.
Dalledone Júnior entrou com um pedido de ''habeas-datas'' (procedimento jurídico que permite que o cliente saiba tudo o que existe contra ele nas investigações sigilosas feitas pelas políciais Civil, Militar ou Federal) na Secretaria de Segurança Pública. O inquérito policial contra Neves corre em segredo de Justiça.

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