BNDES faz adiantamento a Arraes
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está negociando com o governo de Pernambuco um adiantamento de receita de privatização de R$ 700 milhões, vinculado à venda da Companhia de Eletricidade de Pernambuco (Celpe). Este deverá ser o segundo maior adiantamento já feito pelo BNDES - o maior coube à Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL): mais de R$ 800 milhões. Como as negociações estão adiantadas e sem empecilhos à vista, o dinheiro poderá estar nas mãos do governador de Pernambuco, Miguel Arraes (PSB), em março. Ele deverá usar os recursos na eletrificação rural, cumprindo assim uma promessa da campanha de 94.
Não nos metemos nestas coisas, disse, no Rio, o diretor do BNDES Fernando Perrone sobre uma possível vinculação dos recursos com a campanha à reeleição. Segundo Perrone, todos os governadores que chegam ao BNDES com autorizações de suas Assembléias Legislativas para privatizar são atendidos da mesma maneira, independentemente do partido ao qual pertençam ou de sua posição no jogo político. A Assembléia Legislativa de Pernambuco já autorizou o governo a receber a antecipação e também a vender a Celpe, o que poderá ocorrer em, no máximo, oito meses.
De acordo com Perrone, o valor do adiantamento equivale a cerca de um ano de faturamento da Celpe, uma empresa que praticamente não carrega dívidas - seu passivo soma somente R$ 60 milhões. Geralmente, diz ele, estabelece-se o valor econômico de uma empresa multiplicando por três o seu faturamento. No caso da Celpe, da qual o governo pernambucano tem 87% do controle, isso significaria um valor econômico de R$ 2,1 bilhões. Descontando-se a dívida de R$ 60 milhões, sobrariam cerca de R$ 2 bilhões. Perrone deixa claro esperar que a Celpe seja vendida por um preço muito acima do adiantamento, como ocorreu com as demais empresas elétricas da região privatizadas. A Coelba foi vendida por um preço equivalente a 4,7 vezes o seu faturamento; a Cosern, 5 vezes; a Energipe, 5,1 vezes, a CPFL, 5,2 vezes e a Enersul também 5,2 vezes. Perrone contou que o governo de Pernambuco já pediu ao BNDES para ser o gestor da privatização da Celpe.
As antecipações de receita levaram à privatização ou desestatização (venda de participações que não valem controle) de pelo menos oito empresas de energia elétrica estaduais. Ao todo, até agora, o BNDES adiantou cerca de R$ 3 bilhões a vários estados e recebeu mais de R$ 4 bilhões de volta, pois esse dinheiro não sai de graça: o banco cobra a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais juros de 8% ao ano.





