O Bndes (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) é, ao mesmo tempo, a principal e quase única fonte de empréstimos de longo prazo do Brasil e o principal agente e financiador das privatizações no país. O banco acumula US$ 59,3 bilhões em empréstimos no últimos dez anos, sendo US$ 16,9 bilhões só em 1997; gerenciou diretamente privatizações no valor total de US$ 17,96 bilhões desde 1991; e financiou aproximadamente US$ 4 bilhões de privatizações estaduais desde o ano passado.
Fundado em 1952 pelo então presidente Getúlio Vargas para ser o suporte financeiro do desenvolvimento econômico do país, ainda sem o ‘‘S’’ de social no nome, o banco foi decisivo na formulação e execução do famoso plano desenvolvimentista do presidente Juscelino Kubitschek (56/60). O valor emprestado no ano passado foi recorde na história do banco e coroou um processo de recuperação da sua capacidade de financiamento iniciado pela atual equipe econômica ainda no governo Itamar Franco, em 1994. Naquele ano, sob a gestão de Pérsio Arida, um dos ‘‘pais’’ do Plano Real, o total emprestado saltou de um patamar próximo a US$ 3 bilhões por ano (US$ 3,2 bilhões em 93) para US$ 5,5 bilhões.
André Lara Resende é o terceiro dos economistas considerados ‘‘pais’’ do real a assumir a direção do banco. Além de Arida, o banco foi dirigido por Edmar Bacha nos primeiros meses do governo Fernando Henrique Cardoso. Mas foi sob a gestão de Luiz Carlos Mendonça de Barros, iniciada em outubro de 95, que os empréstimos saltaram, ultrapassando a casa dos US$ 10 bilhões ao ano.
Com seu estilo bem parecido com o do ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta, Mendonça de Barros expandiu o leque de setores beneficiados pelos financiamentos do banco, especialmente nas áreas de serviços e de obras públicas, estatais ou privadas. Reabriu os cofres do banco aos Estados, fechados desde iniciativas fracassadas na década de 80, principalmente para antecipar recursos de futuras privatizações estaduais. Foi muito criticado por isso. Do final de 96 até o ano passado, o banco antecipou R$ 2,83 bilhões para 15 Estados. Em todas as operações até agora concluídas, com a privatização das empresas que garantiram os empréstimos, o BNDES saiu lucrando. (AF)

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