O movimento de caminhoneiros que insistem em não aceitar o resultado das urnas, que elegeram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para seu terceiro mandato como presidente da República, no último domingo (30/10), entra hoje em seu terceiro dia. No início da manhã, o Paraná seguia com 56 pontos de bloqueio, sendo 37 nas rodovias estaduais e 20 nas federais.

A terça-feira (1) foi marcada pelas negociações da polícias para que os manifestantes liberassem os pontos de bloqueios, conforme determinação do STF (Supremo Tribunal Federal). Na maioria das ocorrências, as abordagens foram pacíficas. De acordo com a PRF (Polícia Rodoviária Federal), apenas em Medianeira, Cascavel e Marechal Cândido Rondon, todas no Oeste, as equipes do Choque precisaram utilizar gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.

Durante a terça, os caminhoneiros apoiadores de Jair Bolsonaro (PL), diziam que aguardavam uma posição do presidente da República para definir os próximos passos dos bloqueios. Somente no final da tarde, Bolsonaro fez um pronunciamento curto. Sem um pedido direto para os apoiadores liberarem as rodovias, ele, no entanto, disse que “as manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas, mas nossos métodos não podem ser os da esquerda”. Em um primeiro momento, no entanto, o discurso não parece ter surtido efeito para pôr um fim nos atos antidemocráticos.

Já o governador Ratinho Junior afirmou, por meio de nota, que “o direito de livre circulação no território nacional é uma garantia do povo brasileiro”. Também advertiu que é “momento de pacificar o Brasil”. “As eleições de 2022 ocorreram de maneira democrática e a decisão soberana das urnas precisa ser respeitada”, lembrou o chefe do Executivo paranaense, que apoiou Bolsonaro nas eleições.

TIRO DE GUERRA

Manifestantes também se concentraram em frente ao Tiro de Guerra, na zona leste, em Londrina, para pedir intervenção federal e evitar a posse do presidente eleito, Lula, no dia 1º de janeiro. Com frases como "eu autorizo", eles pediam que o Exército Brasileiro engrossasse o movimento. Atos parecidos foram registrados em outras cidades pelo país.

Imagem ilustrativa da imagem Bloqueios entram no 3º dia com 57 pontos no Paraná
| Foto: Filipe Barbosa/Futura Press/Folhapress
Imagem ilustrativa da imagem Bloqueios entram no 3º dia com 57 pontos no Paraná
| Foto: Filipe Barbosa/Futura Press/Folhapress

BRASIL

A PRF (Polícia Rodoviária Federal) informou na madrugada desta quarta-feira (2) que desfez 515 bloqueios em rodovias desde o início das manifestações antidemocráticas, que contestam sem provas o resultado das urnas. O balanço divulgado pela PRF mostra que ainda existem 164 bloqueios em 17 estados.

Santa Catarina, com 37 interdições, é o estado com mais manifestações nas rodovias. Mato Grosso tem 30, Pará tem 18, Rondônia 15 e Minas Gerais tem 12.

Há registros também no Acre (5), no Amazonas (3), na Bahia (1), no Espírito Santo (6), em Goiás (3), Mato Grosso do Sul (2), em Pernambuco (3), em Roraima (1), no Rio Grande do Sul (2), em São Paulo (8) e em Tocantins (9).

Em São Paulo, as manifestações estão concentradas às margens das rodovias, segundo o balanço mais recente da PRF no estado.

As pistas foram liberadas na rodovia Hélio Smidt, que dá acesso ao Aeroporto Internacional de Guarulhos; na BR-101 e na rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Minas Gerais

Na rodovia Régis Régis Bittencourt há manifestantes às margens das rodovias perto de de Juquitiba e Miracatu, no sentido sul.

Na Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, ainda existem 15 pontos com manifestações, principalmente às margens da rodovia.

Na rodovia Castello Branco há interdições nos km 26 e 20, com uma pista liberada para o tráfego nos dois sentidos e registros de congestionamento. (Com Folhapress)

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