Curitiba - Os diretórios estaduais e municipais do PT terão dificuldades financeiras sérias caso o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decida suspender o repasse do Fundo Partidário da sigla. O pedido de interrupção do repasse foi protocolado pelos partidos de oposição ao governo Lula após o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares afirmar que as campanhas municipais do PT foram financiadas com recursos não-declarados nas prestações de contas à Justiça Eleitoral. No Paraná, por exemplo, as verbas do fundo respondem por metade da arrecadação do diretório estadual da sigla.
O Fundo Partidário é composto por uma dotação orçamentária da União e repassado aos partidos de acordo com sua representação na Câmara dos Deputados. Por ter a maior bancada federal, o PT tem direito a receber anualmente cerca de R$ 35 milhões, verba que posteriormente é repassada aos diretórios estaduais e municipais. Mas a lei prevê que caso o partido tenha sonegado informações em suas prestações de contas, o repasse seja interrompido.
Segundo o presidente estadual do PT, André Vargas, a interrupção do repasse pode agravar a situação financeira da sigla no Estado. Atualmente, as contas do PT paranaense já estão no vermelho, com uma dívida estimada em R$ 120 mil. A arrecadação mensal do diretório é de cerca de R$ 60 mil, sendo que metade é proveniente do Fundo Partidário e a outra metade de contribuições dos filiados e dos parlamentares eleitos. ''É uma dívida que não é gigantesca. Temos dívidas com a direção nacional do partido e com fornecedores, uma situação normal. Mas sem o fundo nossas receitas caem pela metade'', comentou Vargas.
Mesmo que o PT nacional não tenha a totalidade das verbas retidas pelo TSE, a existência de caixa 2 nos comitês de campanha das eleições de 2004 podem impedir o repasse do fundo para os diretórios municipais, caso as denúncias de Delúbio sejam comprovadas. Vargas, porém, rebateu as declarações do ex-tesoureiro. ''Não é verdade que todas as campanhas receberam verbas da direção nacional. Em Londrina, por exemplo, não usamos um tostão da direção nacional. E os diretórios que aceitaram dinheiro, que foi usado na maior parte para os showmícios, podem perfeitamente ter declarado seus gastos conforme a lei'', analisou Vargas.
O presidente estadual do PT criticou a maneira como os gastos de campanha são encarados no Brasil. ''Fala-se das doações com uma visão pecaminosa, como se houvesse algo de errado em empresas e pessoas doarem dinheiro para os partidos. O imoral é tentar esconder essas relações, ou conceder benefícios ilegais em virtude das doações'', comentou Vargas.

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