Curitiba - Para entender o mercado das pesquisas de intenção de voto, a FOLHA conversou com vários institutos habilitados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná a coletarem dados no Estado. Dentre as várias queixas, como a desconfiança com o serviço e a baixa profissionalização das equipes de coleta de dados, a reportagem deteve-se nas críticas aos juízes eleitorais, que estariam pouco preparados para lidarem com os pedidos de censura aos resultados apurados.
Para Hélio Gastaldi, diretor de negócios de opinião pública, política e comunicação do Ibope, o político que censura uma pesquisa de intenção de voto ''tem o objetivo evidente de impedir que chegue à população uma informação que não será boa para a sua campanha''. Resultados ruins, explica Gastaldi, impactam o ânimo das equipes, o fluxo de dinheiro nas campanhas e a repercussão do candidato na mídia e formadores de opinião. ''Eles têm um monitoramento do cenário e decidem impedir a divulgação baseados em pesquisas internas'', revela.
''Pesquisa para consumo interno nós fazemos todo o dia'', confirma Fernando Munhoz, um dos coordenadores do Instituto Visão, com sede em Curitiba. Outras empresas do ramo ratificaram para FOLHA que a demanda por dados sigilosos supera bastante o interesse em pesquisas publicadas. ''As nossas registradas ficam em torno de 5% do trabalho da empresa'', afirma Antonio Geraldo Topanotti, diretor geral da Radar Inteligência, com sede em Francisco Beltrão. Em 2010, a empresa paranaense furou o cerco da campanha de Beto Richa (PSDB) às pesquisas de intenção de voto e chegou a publicar o levantamento sobre a disputa ao governo do Paraná, dando a vitória ao tucano.
Na ocasião, o Paraná vivia o ''apagão das pesquisas'', com todas as tentativas de grandes institutos sendo barradas na Justiça Eleitoral. Desta forma, a estratégia do tucano teria prejudicado o rival Osmar Dias (PDT), que esboçava uma reação nas aferições de setembro. ''Nós conseguimos o registro junto ao TRE. O juiz que liberou entrou em férias no dia seguinte, dando tempo para a divulgação. Cravamos o resultado. Quando o juiz substituto impugnou, já estava em todos os blogs de política, pois não se tinha pesquisa há mais de 20 dias'', conta Antônio. Três dias depois o Ibope também obteria a publicação.
''O registro da pesquisa só interessa quando o cara está na frente, quando é conveniente'', reforça Cleidival Fruzeri, diretor comercial do Instituto de Pesquisas Portinari, com sede em Londrina. Gastaldi, no Ibope há 26 anos, reclama dos truques utilizados pelos políticos para bloquear as pesquisas. ''Hoje todas as informações têm que ser reportadas ao tribunal. Os partidos entenderam isso, alegam o contrário e tem juiz que aceita. Teve pesquisa do Ibope que ficou retida por duas semanas sob o argumento de que a avaliação do governo, no final do questionário, influenciava a intenção de voto, que vinha no começo das perguntas'', reclama o diretor do Ibope.
Os institutos de pesquisa reclamaram da convocação de juízes de outras áreas para a Justiça Eleitoral, trazendo pessoas sem familiaridade com o processo para decidir questões técnicas. ''Existem honrosas exceções, que olham com cuidado e consultam os órgãos profissionais de estatística e associações de pesquisa'', alivia Gastaldi. ''Na maioria das vezes as liminares concedidas contra as nossas pesquisas são derrubadas, liberando a publicação. É totalmente normal uma coligação entrar na Justiça tentando impedir a divulgação'', ameniza o diretor da Radar Inteligência.

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