Curitiba - O depoimento do perito em sistema de contra espionagem Antonio Carlos Walger movimentou ontem os trabalhos da CPI da Espionagem instalada na Assembleia Legislativa (AL). Walger, que coordenou no mês passado a varredura feita na AL pela empresa Embrasil, disse que aparelhos de bloqueadores de celular em geral podem ser transformados em grampos. ''Eu já vi equipamentos sendo comprados para contra espionagem serem usados para espionagem'', declarou ele, que tem 15 anos de experiência na área e há dois anos trabalha para a Embrasil.
A última versão apontava que os aparelhos encontrados na sala da presidência da AL poderiam ser bloqueadores de celular comprados pela própria Casa via licitação. O laudo do Instituto de Criminalística ainda não foi concluído, mas Walger destacou que se tratam de aparelhos ''ímpar''. ''Eu nunca vi bloqueador assim, era uma engenharia doméstica, tanto que tive dificuldade, num primeiro momento, de dizer exatamente o que era'', disse ele.
Também em depoimento prestado ontem, o presidente da AL, Valdir Rossoni (PSDB), reforçou que, mesmo se fossem ''apenas bloqueadores de celular'', a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) já informou que não autorizou o uso de um equipamento do tipo pela AL. O ex-diretor geral da AL, Eron Abboud, outro que prestou depoimento ontem, disse que a Procuradoria da Casa é quem analisa o aspecto legal de uma compra. Abboud também afirmou que autorizou a licitação com base num pedido do então coordenador administrativo Francisco Ricardo Neto, que alegou que as ligações inconvenientes atrapalhavam as reuniões.
Walger afirmou que os equipamentos encontrados na AL não tinham identificação de fabricante, nem registro de propriedade. Mas, além da questão dos supostos bloqueadores de celular, o perito da Embrasil destacou que, de qualquer modo, já haveria prova de grampo em outro local da AL, na própria sala de telefonia, localizada no térreo do prédio. ''Existe um grampo efetivo no quadro de telefonia. Era um grampo simples, mas que estava numa sala onde somente o pessoal da segurança da AL e os técnicos tinham acesso, e ele tinha sim possibilidade de transmitir conversas para o exterior do prédio, apesar de pouca distância'', disse ele.
O perito ainda entregou ontem ao presidente da CPI um áudio do que seria uma conversa gravada por meio do grampo da AL. ''Eu fiz um teste (no dia da varredura), utilizando o telefone da sala que fica ao lado do plenário (para uso do presidente da AL). Eu liguei para a minha casa e com frequência FM do meu celular gravei uma conversa que tive com a minha filha. O áudio está aí'', afirmou ele, acrescentando que tem testemunhas da sua ligação, inclusive dois policiais que acompanhavam a varredura naquele dia. A pessoa responsável pela sala de telefonia deve ser a próxima convocada para prestar depoimento.

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