Blog teria recebido R$ 120 mil do esquema
Curitiba - Trechos do depoimento do colaborador Milton Pascowitch, que operava parte da propina, e que serviram de base para pedir a prisão preventiva de José Dirceu, apontam que entre os beneficiários do esquema de desvios de recursos da Petrobras está a Editora 247, que é representada pelo jornalista Leonardo Attuch, e que edita o site de notícias Brasil 247. Segundo o delator, foram repassados R$ 120 mil à editora sem qualquer prestação de serviço, e que se tratava de "operação para dar legalidade ao apoio que o Partido dos Trabalhadores dava ao blog mantido por Attuch".
Os pagamentos ocorreram entre setembro e outubro do ano passado. Por coincidência, o site vem criticando a atuação da força-tarefa da Lava Jato desde o ano passado e questionado a atuação do juiz Sérgio Moro. Pascowitch ainda relatou que repassou, por meio de sua empresa de consultoria Jamp Engenheiros Ltda., valores para a empresa Consist Software destinados ao PT, através de João Vaccari. Nesse operação, eram usados contratos de consultoria simulados entre a Jamp e a Consist no total de R$ 15 milhões. No despacho em que deferiu as prisões da 17ª fase, Moro sustentou que parte dos valores dessa propina teriam sido direcionados, a pedido de João Vaccari, para a Editora 247, por meio de simulação de contrato de prestação de serviço.
O delator também disse ter provas da troca de e-mails entre Attuch e José Adolfo, irmão de Pascowitch, que mostram os pagamentos e a emissão de notas fiscais. O contrato da Jam com a Editora 247 foi realizado "visando a produção de conteúdo jornalístico e de estudos especiais na área de infraestrutura, para publicação no jornal eletrônico 247". "Considerando que a Jamp era, como afirma seu próprio titular, empresa dedicada à lavagem de dinheiro e repasse de propinas, parece improvável que o conteúdo do documento seja ideologicamente verdadeiro, pois difícil vislumbrar qual seria o interesse de empresa da espécie em anunciar publicidade ou patrocinar matérias em jornal digital" diz Moro em seu despacho. "É um caso específico, e este jornalista já tinha sido mencionado antes. Ele ainda não foi objeto de nenhum medida no momento, mas as investigações sobre sua atuação estão sendo aprofundadas´´, ressaltou o delegado da PF, Márcio Adriano Anselmo.
Em nota oficial divulgada pelo presidente do PT, Rui Falcão, a legenda refutou as acusações de que teria realizado operações financeiras ilegais ou participado de qualquer esquema de corrupção. "Todas as doações feitas ao PT ocorreram estritamente dentro da legalidade, por intermédio de transferências bancárias, e foram posteriormente declaradas à Justiça Eleitoral", diz a nota. (R.C.J.)





