O presidente Fernando Henrique Cardoso deverá ter supremacia no tempo do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, caso sejam mantidas as tendências de candidaturas e coligações partidárias verificadas pela ‘‘Agência Estado’’ junto aos 30 partidos com direito a disputar a Presidência da República. Se as convenções partidárias confirmarem a tendência atual, a eleição teria 11 candidatos e a coligação que deverá apoiar Fernando Henrique (PSDB/PFL/PMDB/PPB/PTB/PSD/PSL) ocuparia 26 minutos e 20 segundos, mais da metade dos 50 minutos da campanha eletrônica que será veiculada três vezes por semana - às terças e quintas feiras e aos sábados - a partir de 18 de agosto.
O principal adversário do presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT/PDT/PSB/PCdoB/PCB/PCO), teria direito a 8 minutos e 32 segundos, pouco mais de 17% do tempo total. Os outros nove candidatos dividiriam o tempo restante do horário eleitoral - 15 minutos e 8 segundos - em frações entre 1 minuto e 31 segundos e 2 minutos e 30 segundos. Ainda que perca o apoio do PMDB e do PTB, FHC manterá a maior parte do tempo destinado à propaganda eleitoral gratuita: 17 minutos, aproximadamente, dependendo do número de candidatos que resultar dessas dissidências.
O PMDB tem direito a quase 7 minutos da propaganda eleitoral por ter elegido 107 deputados federais na eleição de 1994 e o PTB, que elegeu 32, levaria pouco mais de 2 minutos. Os candidatos apoiados por partidos que não elegeram nenhum deputado federal na eleição de 94 terão direito a um menor tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão. Isto porque a lei eleitoral privilegiou as coligações com estrutura partidária consolidada.
O horário eleitoral para a campanha presidencial foi dividido em dois blocos de 25 minutos, encaixados no chamado ‘‘horário nobre’’ do rádio (das 7h às 7h25 e das 12h às 12h25) e da TV (das 13h às 13h25 e das 20h30 às 20h55). Um terço desse tempo será repartido igualmente entre todas as coligações - 1 minuto e 31 segundos se forem confirmados 11 candidatos. Os dois terços restantes serão distribuídos de acordo com a representatividade partidária na Câmara dos Deputados no início desta legislatura, ou seja, fevereiro de 1995.
A supremacia da coligação que apóia a candidatura de FHC é garantida por este segundo critério. PMDB, PFL, PSDB, PPB, PTB e PSD elegeram juntos 382 deputados federais em 94 (74,5% do total), o que assegura à coligação 24 minutos e 49 segundos. Com 108 deputados eleitos, PT, PDT, PSB e PCdoB asseguram 7 minutos e 1 segundo a Lula. A provável coligação de Ciro Gomes (PPS/PL/PV/PTN) elegeu 15 deputados em 94, o que lhe dá 59 segundos além do tempo repartido igualmente entre os 12 candidatos. PMN e PSC elegeram três deputados cada em 94 e seus respectivos candidatos, Ivan Frota e Sérgio Bueno, terão direito a 12 segundos além do tempo mínimo.
A coligação que defende a candidatura do ex-presidente Fernando Collor (PRN/PRP/PST/PRTN/PGT/PTdoB) elegeu dois deputados - um do PRN e um do PRP - e teria um adicional de 8 segundos na propaganda eleitoral. Os outros cinco possíveis candidatos - Enéas Carneiro (Prona), José Maria de Almeida (PSTU), José Maria Eymael (PSDC), Vasco de Azevedo Neto (PSN), e João Olivar Farias (PAN) - terão apenas 1 minuto e 31 segundos.

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