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. | Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Brasília - Blindado por integrantes da base do governo, que travaram um embate político com a oposição, o ministro Sergio Moro (Justiça) prestou depoimento nessa terça-feira (2) na Câmara dos Deputados marcado por ironias e ataques do ex-juiz a adversários e ao vazamento de mensagens sobre a Lava Jato pelo site The Intercept Brasil. Duas semanas depois de falar por quase nove horas no Senado, Moro permaceneu desde as 14h30 em uma sessão conjunta das comissões de Constituição e Justiça, de Trabalho e de Direitos Humanos para falar aos deputados sobre a troca de mensagens vazadas com o procurador Deltan Dallagnol. Até o fechamento desta matéria, por volta das 21h30, a sessão não havia terminado.

Parlamentares do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, atuaram para evitar o que vinha sendo chamado de "pelotão de fuzilamento" contra o ministro, que se sentiu à vontade para partir para o ataque. Moro disse que deputados poderiam "ficar com o seu foro privilegiado", afirmou que a divulgação de suas conversas é "uma questão político-partidária", criticou a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e o Intercept e, por diversas vezes, usou de ironia.

"Se ouve muito da anulação do processo do ex-presidente [Lula], tem que se perguntar então quem defende Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, Renato Duque, todos estes inocentes que teriam sido condenados", afirmou, sugerindo que a divulgação das mensagens visa beneficiar especificamente o petista. "Precisamos de defensores destas pessoas. Que elas sejam colocadas imediatamente em liberdade, já que foram condenadas pelos malvados procuradores da Lava Jato, pelos desonestos policiais e pelo juiz parcial", disse. Em resposta à deputada Gleisi Hoffmann (PR), presidente do PT, Moro respondeu: "Não sou eu que sou investigado por corrupção", em uma provável referência indireta a processos contra a petista.

Moro classificou o vazamento das mensagens de "escândalo fake já afundado ou afundando", "um balão vazio", e criticou o Intercept. Disse ter ficado com a impressão de que o veículo queria que fosse ordenada uma busca e apreensão. "Talvez para aparentar uma espécie de vítima, um mártir da imprensa ou coisa parecida", afirmou. Ele disse que a OAB "embarcou no sensacionalismo barato dos primeiros dias", ao sugerir que o ministro saísse do cargo para que as investigações fossem conduzidas de forma isenta.

Na troca de mensagens, o à época juiz dá orientações aos procuradores, sugere a inversão de ordem de fases da Lava Jato e até indica testemunha de acusação ao Ministério Público Federal. Na Câmara, Moro disse ser "um grande defensor das instituições" e fez referência aos atos realizados no domingo (26) pelo país, que tiveram entre as pautas a sua defesa. "Houve um movimento expressivo no fim de semana em que várias pessoas apoiaram o trabalho da Lava Jato", afirmou. "O Brasil saiu nos últimos anos do lugar comum, da impunidade e da grande corrupção", completou.

ESTRATÉGIA

Na Câmara, a estratégia do ministro ao longo da audiência foi organizada em 7 frentes:1) colocou-se como vítima de ataque hacker de um grupo criminoso organizado; 2) disse não ter como garantir a autenticidade integral das mensagens e apontou que elas podem ter sido adulteradas; 3) refutou a possibilidade de conluio com o Ministério Público; 4) qualificou a divulgação das mensagens de sensacionalista; 5) desqualificou os que apontaram irregularidades na sua atuação quando juiz da Lava Jato; 6) negou comandar a investigação realizada pela Polícia Federal e disse acompanhar como vítima;7) sugeriu que o objetivo do vazamento das mensagens seria invalidar as condenações da Lava Lato.

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