Blairo Maggi recusa convite e PR já aceita Paulo Sérgio Passos
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sexta-feira, 08 de julho de 2011
Christiane Samarco <br> <br> Agência Estado 
Brasília - O senador Blairo Maggi (PR-MT) recusou o convite da presidente Dilma Rousseff para ser o novo ministro dos Transportes. Ele ainda vai procurar a presidente para formalizar a recusa, mas, ao final das reuniões de ontem, em Cuiabá, ele bateu o martelo: os assessores do seu grupo empresarial vetaram a indicação e ele decidiu ficar no Senado. Com isto, volta ao topo da lista de ministeriáveis o preferido da presidente e ministro interino, Paulo Sérgio Passos. Dirigentes do PR já admitem no bastidor que, se não houver alternativa, o partido acatará a escolha presidencial.
''O ideal para o partido é que o Blairo assuma, mas pessoalmente, como senador, acho que nós poderíamos caminhar para apoiar o Paulo Sérgio'', defende o senador Clésio Andrade (PR-MG). No mesmo tom, um influente deputado do PR revelou anteontem que está disposto a trabalhar a bancada da Câmara em favor da solução ''técnica'' de manter o interino e tirar o partido da ''linha de tiro das denúncias de corrupção''.
Antes de embarcar para Cuiabá na quinta-feira, Blairo disse a Clésio que tentaria convencer seu grupo empresarial a abrir mão dos contratos que tem com o governo, para que ele pudesse suceder Nascimento. Não conseguiu. ''O grupo André Maggi detectou que há conflito de interesses e impedimento legal para que eu assuma o ministério'', revelou o próprio Blairo no final da tarde de anteontem.
Mas ele aposta que nada acontecerá antes de terça-feira, quando seu afilhado político e diretor afastado do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, vai depor na Comissão de Infraestrutura do Senado. O depoimento carrega um ''potencial explosivo'' do depoimento, mas um amigo e colega de Pagot no secretariado de Blairo Maggi no governo de Mato Grosso afirma que ''não existe a possibilidade de o Pagot entornar o caldo''.
O maior foco de resistência à tese de efetivar o interino não é Blairo Maggi e sim o ex-ministro. Alfredo Nascimento e seus aliados consideraram uma ''traição'' o fato de Passos ter sido chamado ao Planalto pela presidente Dilma na terça-feira e não ter avisado ao partido ou ao ministro da reunião. O líder do PR no Senado, Magno Malta (ES), também critica Passos pelo atendimento precário aos parlamentares. Mas seja quem for o escolhido, parlamentares dos vários setores do PR entendem que o rompimento com o governo está fora do horizonte da legenda. Embora o presidente nacional do PR tenha muito peso na definição dos rumos da sigla, um dirigente adverte que o próprio Nascimento enfraqueceu sua posição quando pediu ao líder na Câmara, Lincoln Portela (MG), que anunciasse que ele não interferirá na escolha de seu sucessor. Este dirigente entende que, além de se retirar publicamente do processo, Nascimento também sinalizou que ficará mais recolhido ao se licenciar no Senado. Em só assumirá efetivamente o mandato de senador pelo Amazonas em agosto, depois do recesso parlamentar que começará no dia 18.
Mesmo assim, o governo terá trabalho para convencer o PR a se manter fiel na base sem emplacar um nome de sua preferência nos Transportes. O partido ainda vai lutar por uma ''solução de meio-termo'', em que a bancada possa sugerir nomes e submetê-los à presidente Dilma. Uma das alternativas cogitadas é o deputado Jaime Martins (PR-MG).


