Blair garante apoio ao Brasil na elite da ONU
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quinta-feira, 09 de março de 2006
Tânia MonteiroAgência Estado 
Londres - O primeiro-ministro inglês, Tony Blair, elogiou ontem o governo brasileiro pelo contínuo sucesso das políticas macroeconômicas no Brasil e pelo pagamento antecipado da dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo o texto do Comunicado Conjunto, divulgado ontem ao final da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O comunicado reuniu 25 pontos, destacando o reconhecimento inglês do esforço do governo brasileiro em garantir estabilidade econômica. ''Reconhecemos a importância da relação entre estabilidade econômica, desenvolvimento e investimento, bem como a necessidade de contínuas reformas econômicas com vistas a assegurar o crescimento sustentável num mundo globalizado'', diz o documento.
Tanto no comunicado conjunto como na entrevista coletiva, o primeiro-ministro Blair reiterou o apoio do Reino Unido à reforma e ampliação da Organização das Nações Unidas e ao desejo do Brasil de conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança. No comunicado, Blair ressalta que ''considera o Brasil uma potência emergente fundamental'' e destaca que o apoio ao pleito do país conseguir um assento permanente, em uma ONU ampliada, ''representaria um passo significativo no sentido de integrar progressivamente o Brasil e outros países importantes nas estruturas da governança global''.
O documento cita ainda o comprometimento dos dois países no que se refere à mudança do clima, ao desenvolvimento e apoio à África.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou que o governo brasileiro tenha definido um plano de construção de sete usinas nucleares nos próximos 15 anos. ''O governo não decidiu'', disse Lula em resposta à pergunta da Agência Estado, durante a conferência de imprensa concedida na sede do governo britânico, tendo ao seu lado o primeiro-ministro inglês Tony Blair. A declaração de Lula desautoriza o anúncio feito na véspera pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Resende. Entusiasmado, Resende chegou a afirmar que o governo recorreria às parcerias público privadas (PPPs) para realização do projeto, estimado em cerca de ''alguns bilhões de dólares''.
Segundo Lula, o governo apenas discute as várias alternativas para a geração de energia que capacite o País a adquirir tranquilidade na área energética. Atualmente, a vulnerabilidade na produção de energia é um dos gargalos que limita um crescimento mais acelerado da economia. A produção de energia nuclear, segundo ele, obviamente, faz parte da discussão ''porque é um tema sempre importante'' e, em algum momento, o País pode necessitar desse tipo de energia. ''Mas, no momento, só posso dizer que o governo não decidiu'', insistiu Lula.
A resposta de Lula foi cuidadosa no sentido de minimizar o impacto da declaração de seu ministro e garantir que a construção de usina nuclear ''não é uma prioridade'' para seu governo, neste momento. De fato, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, também descartou a iminência de novos investimentos para geração de energia nuclear ao explicitar, em encontro com empresários, que a opção hidrelétrica oferece melhor vantagem comparativa em relação à opção nuclear. Lula reafirmou essa direção ao garantir, na entrevista, que, por enquanto, o governo está decidido em construir a usina de Belo Monte, e definindo a construção de duas hidrelétricas no Rio Madeira. Além disso, garantiu aporte de recursos para introduzir a biomassa como uma nova matriz energética do Brasil.
Ainda ao lado de Blair, o presidente Lula evitou criticar o Irã que anunciou o reinício de seu programa de energia nuclear. Para Lula, todos os países têm direito de construir usinas nucleares, assim como todos têm de estar subordinados aos foros que tomam decisões políticas sobre a questão da energia nuclear. O primeiro-ministro Tony Blair limitou-se a dizer que concorda com Lula.


