Bispos são contra teto salarial de R$ 21,6 mil
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quinta-feira, 10 de abril de 1997
Agência Estado 
CAMPINAS - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) deverá se pronunciar formalmente contra o acordo feito pelo presidente Fernando Henrique Cardoso com os aliados que garante o acúmulo de uma posentadoria com o teto de R$ 10.800. Com isso o extrateto pode chegar a R$ 21,6 mil. Ontem, nos corredores do mosteiro de Itaici, onde acontece a 35ª assembléia da CNBB, com 280 bispos de todo o País, foram várias as críticas ao governo e aos parlamentares. É um escândalo, disse o bispo de Ji-Paraná, em Roraima, D. Antonio Possamai. Segundo ele, os parlamentares cometeram um pecado original legislando em causa própria. O assunto, disse, ainda não foi discutido em plenário na assembléia, mas a entidade certamente se posicionará de forma oficial. Para ao religioso, o acordo feito pelo presidente representa um ato de ofensa ao povo brasileiro. Uma comissão episcopal deverá analisar o assunto. Enquanto grande parte do povo tem de sobreviver com um salário mínimo, os parlamentares vivem como um grupo de privilegiados, afirmou.
Itamar Franco O ex-presidente Itamar Franco criticou ontem, em Belo Horizonte, a aprovação, na Câmara, da reforma administrativa com a quebra da estabilidade do servidor público. Se eu fosse parlamentar não votaria contra a estabilidade do funcionalismo público, disse Itamar. Ele lembrou que quando exerceu a presidência uma de suas maiores preocupações foi com a garantia dos direitos dos servidores. Sou favorável à estabilidade e, no meu governo, procurei apoiar o funcionalismo, através de aumentos e compreensão, ao atender as mais justas reivindicações da categoria. Ele não quis comentar a questão do extrateto salarial para políticos, que permite o acúmulo de salário com uma aposentadoria e pode chegar a R$ 21,6 mil. Esse teto ainda não foi sequer votado, disse.


