Bispos relatam aumento de refugiados no AM
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de outubro de 2004
Folhapress 
Manaus - Bispos da Igreja Católica de sete países da Amazônia Legal relataram ontem, durante encontro do Conselho Episcopal Latino-Americano, o crescimento da migração de refugiados colombianos para as cidades fronteiriças do Brasil, Peru e Equador em razão do conflito armado entre os militares e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).
Os 38 bispos que participam do 1º Encontro de Bispos da Amazônia Legal, que acaba hoje, em Manaus, são representantes de dioceses de cidades fronteiriças de Brasil, Bolívia, Colômbia, Guiana, Equador, Peru e Venezuela.
A Polícia Federal no Amazonas disse que não há registro oficial de refugiados políticos na região de fronteira. ''Os migrantes que existem são peruanos que não têm empregos nem opção. Refugiado colombiano é a coisa mais rara'', afirmou o delegado Sérgio Fontes.
Já o bispo brasileiro Alcimar Caldas Magalhães, 64, afirmou que nos últimos anos aumentou a população de migrantes em sete municípios do Amazonas. ''Nos últimos oito anos se intensificou muito a migração. Nesses municípios de fronteira, a presença colombiana é de cerca de 10% da população'', afirmou Dom Alcimar.
Ele administra há 14 anos a Diocese de Tabatinga (na fronteira com a cidade colombiana de Letícia), que coordena igrejas do Alto Solimões - região dos municípios de Tabatinga, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá e Tonantis.
Segundo o bispo brasileiro, o crescimento da migração é resultado da falta de fiscalização na fronteira brasileira. ''Uma fronteira segura retém a migração. Se o Brasil se retira, outros tomam conta do espaço.''
Monsenhor José de Jesus Quintero, 55, que administra há três anos e meio a diocese da cidade colombiana de Letícia, afirmou que o aumento de refugiados está relacionado aos confrontos em seu país.


