Arquivo FolhaReligião e ideologiaRoque Zimmermann, que concorre à reeleição: ‘É que nós somos da esquerda e passamos a incomodar’ Bispos do Paraná lançaram na última terça-feira, em Cornélio Procópio, documento condenando a filiação e participação político-partidária de padres em processos eleitorais. Baseando-se no ‘‘Magistério da Igreja Católica’’ e em orientações pastorais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o grupo defende o afastamento imediato dos padres que estejam de olho nas eleições.
Os bispos ameaçam ainda cassar a ordenação daqueles que descumprirem o documento, que já provocou polêmica. Só no PT, onze padres integram a já conhecida ‘‘Turma da batina’’ e estão dispostos a enfrentar o desafio das urnas. Deputado eleito em 94, padre Roque Zimmermann (PT) trabalha pela reeleição na Câmara Federal.
‘‘Suspenderemos do uso de ordem o presbítero que, por decisão própria, contrariar essa determinação em nossas dioceses. O mesmo acontecerá com o presbítero religioso, ainda que tenha o consentimento de seus superiores’’, diz a circular, que já está sendo distribuída pelos 17 bispos e dois administradores diocesanos aos 1.200 padres distribuídos por todo o Estado.
‘‘Os padres têm de valorizar os nossos leigos. Ser um orientador do povo. Quando entra num partido, passa a desagradar grupos adversários e deixa de promover a unidade’’, defende o secretário geral da CNBB do Paraná, padre Carlos Alberto Chiquim. Ele passou o dia ontem em Curitiba, divulgando o documento elaborado de 29 a 31 de março.
Roque Zimmermann, que celebra toda a semana missa em Brasília, discorda do teor da circular. Ele ainda não foi notificado para decidir se cumpre ou não a ordem dos bispos paranaenses. ‘‘A Igreja sempre participou da política. Só que antes os padres que estavam inseridos no processo eram de direita. Nós, da esquerda, passamos a incomodar’’, avalia.
O deputado do PT entende que os padres não podem ficar alheios ao processo político em vigência. ‘‘Não gosto de afrontar de forma petulante documentos como este (a declaração dos bispos), mas acho que houve um equívoco’’, pondera o petista, que não pretende recuar da sua decisão de concorrer à reeleição.
Prevendo resistências internas que deverão ser enfrentadas nos próximos dias, o grupo de bispos tomou precauções, na tentativa de garantir apoio da opinião pública católica. Diversas citações de trechos bíblicos e orientações da Igreja constam do documento. Tudo para sensibilizar fiéis e os padres que estão de olho na disputa de outubro.
‘‘Existem dons diferentes, mas o Espírito é o mesmo; diferentes serviços, mas o Senhor é o mesmo; diferentes modos de agir, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos’’, finaliza a carta dos bispos, citando Corinthios.

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