Bispos desaprovam venda da Copel
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segunda-feira, 23 de julho de 2001
Marcos Zanatta De Maringá 
Os 28 bispos católicos do Paraná são contra a privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel). A posição foi definida durante reunião realizada na 39ª Assembléia Geral dos Bispos do Brasil, que terminou domingo em Itaici (SP). Os bispos paranaenses distribuíram ontem nota à imprensa destacando três justificativas para o posicionamento.
O primeiro ponto é que algumas privatizações realizadas anteriormente não trouxeram benefícios esperados para a população. Os bispos acham que decisões como a privatização da estatal de energia precisam de maior discussão e envolvimento da sociedade e, se possível, com a realização de um plebiscito. Por último, a nota destaca que a venda da estatal de energia seria um ato irreversível, impedindo depois qualquer decisão contrária.
O governador Jaime Lerner (PFL) pretende privatizar a Copel no final de outubro. A justificativa do Palácio Iguaçu para a venda é a necessidade de estancar o déficit previdenciário de R$ 100 milhões mensais. A bancada de oposição contesta, alegando que o objetivo é cobrir rombos de caixa.
Em entrevista à Folha, o arcebispo de Maringá, D. Murilo Krieger, presidente da Regional Sul 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e signatário da nota, lembrou que o tema começou a ser discutido entre os católicos em março passado. Durante uma reunião em Francisco Beltrão, passamos a questão ao Conselho Regional de Leigos, disse o arcebispo.
Os leigos decidiram se posicionar contra a privatização, inclusive aderindo à coleta de assinaturas para propor um projeto popular que inviabilize a venda. Diante da insistência do Estado em levar a proposta de privatização em frente, os bispos decidiram se posicionar.
O apelo, segundo D. Murilo, é extensivo aos deputados estaduais. Ele disse que a posição dos bispos não pretende ter nenhuma conotação político-partidária. Fazemos nossas as inquietações que vão se avolumando no mundo, diante dos rumos perversos do atual processo de globalização, que quer reduzir a humanidade aos interesses egoístas de alguns, em prejuízo da vida da maioria, afirmou D. Murilo na nota.
O Fórum Popular Contra a Venda da Copel, que reúne cerca de 400 entidades, comemorou o posicionamento dos representantes da Igreja Católica. Trata-se de um posicionamento extremamente positivo. Que o governo tenha a sensibilidade de ouvir esse clamor que também vem da igreja, disse o coordenador-executivo do Fórum, Nelton Friedrich.
Na sua opinião, o governo do Estado deveria ouvir a sugestão dos bispos e realizar um plebiscito para que a população paranaense pudesse decidir sobre a venda da empresa de energia. (Colaborou Maria Duarte, de Curitiba)


