Agência Estado
De Brasília
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, ex-aluno de colégio jesuíta e de universidade católica, saiu ontem da sede da CNBB com a recomendação de relembrar o ‘‘Pai-Nosso’’, principalmente no trecho que diz: ‘‘O pão nosso de cada dia, dai-nos hoje’’. Foi com esse conselho, dado pelo presidente da entidade, D. Jaime Chemello, que se encerrou o debate do ministro com os bispos e com entidades como a CUT e MST. ‘‘Quantas vezes seu parecer será decisivo para que o pão de cada dia seja dado hoje ou no futuro’’, disse o presidente da CNBB ao ministro.
Foi uma discussão em tom diplomático, mas não faltaram farpas de nenhum dos lados. O ministro atacou as tentativas de levar o debate sobre a pobreza para o campo político-partidário e chegou a falar aos bispos em controle de natalidade – mais precisamente, no combate à gravidez precoce – como uma forma de evitar o que chama de ‘‘perenização’’ da pobreza. Em troca, ouviu cobranças de ações mais fortes e imediatas para combater a miséria.
O momento mais tenso da reunião foi após a intervenção do representante da CUT, o sindicalista Antônio Carlos Spys, que afirmou haver no Brasil 60 milhões de desempregados e excluídos. Malan respondeu lembrando que o País vive numa democracia e, nas últimas eleições, FHC teve 15 milhões de votos de vantagem sobre o segundo colocado. ‘‘Se há essa quantidade de descontentes, em 2002, quando houver uma nova eleição, eles se expressarão pelas urnas’’, afirmou.
Ao final do debate, Malan ganhou de D. Jaime um livro sobre a campanha da fraternidade deste ano: ‘‘Um milênio sem exclusão’’. Ele mostra como diversas igrejas dialogaram entre si e encontraram idéias comuns sobre como tratar da questão da dignidade humana. ‘‘Quero passar-lhe o texto para que o senhor medite sobre isso’’, disse D. Jaime a Malan.

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