O bispo da Diocese de Jundiaí, Dom Amaury Castanho, pretende divulgar amanhã uma lista com cerca de 25 nomes de candidatos que terão apoio da Igreja Católica, para as próximas eleições. Essa decisão contraria declarações do bispo de Jales (SC), Dom Demetrio Valentini, coordenador da Pastoral Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), de que a igreja não iria influenciar os eleitores. Castanho afirma que a decisão é pessoal sua e Dom Valentini não falou em nome da CNBB.
Dom Amaury Castanho explicou que desde o início do ano vem desenvolvendo um dossiê dos candidatos, como proposta de voto pelos fiéis da sua diocese, que abrange 11 municípios, 300 comunidades e cerca de 600 mil eleitores. ‘‘O processo foi desgastante’’, comenta, ‘‘foi uma decisão estritamente pessoal minha’’, garantiu. A lista dos candidatos que terão apoio da Igreja Católica será publicada em uma edição especial do jornal ‘‘O Verbo’’, editado pelo bispo, que circulará nesta sexta-feira na região de Jundiaí.
Dom Amaury Castanho conta que desde o início do seu trabalho passou a receber visitas de vários políticos em sua casa. Entre eles os candidatos a governador Francisco Rossi (PDT), Paulo Maluf (PPB) e a deputada federal Martha Suplicy (PT), que chegou a ser condenada pelo bispo no lançamento do livro ‘‘Sexo para Adolescentes’’. Castanho disse que Martha Suplicy foi a primeira a fazer visita e não abriu mão dos seus princípios, mas foi interessante pelo diálogo sobre valores sociais.
Para elaborar a lista dos candidatos, que ‘‘não são anjos, mas homens capacitados’’, Dom Amaury fez um questionário exigindo posicionamentos sobre o aborto, divórcio, justiça social, ensino religioso; servir a comunidade e a nação, sem se corromper e defender os valores da família.
Além da publicação da lista com cerca de 25 nomes, o bispo pretende organizar dois debates entre os candidatos à Assembléia Legislativa de São Paulo e à Câmara dos Deputados. Dom Amaury afirma que seu trabalho não visa a vantagens pessoais, mas iluminar os eleitores para votar em pessoas de bem, porque, segundo ele, ‘‘o poder afeta muitas pessoas’’.

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