O bispo diocesano de Campo Mourão, Dom Virgílio de Pauli, está recomendando que os fiéis da Igreja Católica não votem em candidatos que sejam padres. A recomendação vale principalmente para o padre Adelino Gonçalves (PT), que atualmente é pároco em Mariluz e vai disputar a eleição de deputado estadual pela região de Campo Mourão. Dom Virgílio chegou a dizer a emissoras de rádios da cidade que torce para que o padre perca a eleição.
O bispo disse também que considera o padre Adelino ‘‘perdido’’ e que, em caso de vitórias nas eleições, ele não deverá retornar ao sacerdócio até por uma questão de salário, uma vez que o ordenado de um deputado é bem maior que o de um padre. As críticas de Dom Virgílio chegaram a chamar a atenção de padres da região, que passaram ontem praticamente todo o dia reunidos com o bispo tentando convencê-lo a parar com as críticas.
Dom Virgílio é contra a participação de padres na política partidária. Ele acha que isso divide os fiéis, o que, no seu entender, não deve ser aceito pela igreja. ‘‘O fiel pode se afastar da Igreja porque vota num partido diferente do padre’’, frisou o bispo numa das entrevistas sobre o tema. Em Mariluz, o padre Adelino aguarda um pedido de licença até 15 de novembro que entregou pessoalmente a Dom Virgílio. Ele quer se dedicar à campanha.
Pressão‘‘Nunca dei trabalho para o bispo’’, diz o padre-candidato. ‘‘Não acredito que ele vá rejeitar a minha licença, até porque todo padre tem direito de se licenciar’’, afirma. Adelino é padre há cinco anos e meio, sempre atuando na região de Campo Mourão. Antes de Mariluz, ele foi pároco em Roncador, Luiziana e Rancho Alegre do Oeste. Em Rancho Alegre, o padre foi candidato a vice-prefeito na chapa que acabou perdendo as eleições.
‘‘Naquele eleição não pedi licença, mas nunca pedi voto dentro da igreja’’, diz Adelino. Ele diz que o bispo está sendo ‘‘infeliz’’ em suas declarações. ‘‘Ele está me atrapalhando não só como candidato, mas também como ser humano’’, diz. Segundo ele, não há nada de errado em votar em padre. ‘‘Pecado é votar em corrupto’’, frisa. Padre Adelino diz que acredita que o bispo esteja sendo pressionado por grupos políticos contrários a sua candidatura.

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