Bispo de SP condena consulta
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quarta-feira, 30 de agosto de 2000
Agência Estado De São Paulo 
O bispo de Jundiaí (SP), D. Amaury Castanho, de 73 anos, afirmou ontem ser totalmente contrário ao plebiscito promovido pela CNBB. É um movimento ideológico, político, de esquerda e partidário; essa é a linha dos que estão liderando o plebiscito, criticou. Segundo ele, o plebiscito é inócuo, porque o resultado não terá nenhum saldo positivo quanto aos governos federal, estadual e municipal. Para ser legítimo, é necessário sua aprovação pelo Congresso, destacou. O bispo disse ainda achar perda de tempo e dinheiro toda a organização em torno do plebiscito.
Para D. Amaury, o eleitorado brasileiro é, na maioria, analfabeto e, portanto, está desinformado sobre os aspectos que serão abordados no plebiscito. Noventa por cento da população não sabe o que é FMI, nem a diferença entre dívida externa e interna; para uma conscientização de cem milhões de eleitores, iria demorar, no mínimo, um ano, explicou.
O bispo discordou também da formulação das perguntas e do espírito com que vem sendo preparada a consulta popular. Segundo ele, não batem com a firme e prudente posição da Santa Sé e do santo padre João Paulo II, que vem fazendo reiterados apelos pelo perdão total ou parcial da dívida externa dos países em desenvolvimento, jamais tendo falado em cancelamento, moratória ou calote.
Embora tenha considerado o movimento ideológico, político, de esquerda e partidário, D. Amaury destacou que concordaria com o plebiscito, caso mais da metade do eleitorado o aprovasse conscientemente. Sou democrático.
De acordo com ele, nenhum sacerdote, diácono permanente ou agente de pastoral leigo está autorizado a pronunciar-se em nome da Diocese quanto à dívida interna ou externa. Pessoalmente, como bispo da Igreja e cidadão, sou inteiramente favorável a uma auditoria pública sobre os empréstimos feitos, a destinação dos capitais estrangeiros e possíveis atos de corrupção beneficiando autoridades ou particulares no regime militar ou nos últimos governos civis, disse.
D. Amaury distribuiu ontem um comunicado com a posição quanto ao plebiscito a todo o clero da Diocese de Jundiaí, a 47 paróquias e 300 comunidades de 11 municípios do Estado de São Paulo. O comunicado foi enviado também a 88 padres, 67 diáconos permanentes e a dois bispos eméritos.


