Brasília - O presidente da CPI dos Sanguessugas, Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), criticou ontem o PT e disse que o dossiê que ligaria tucanos à máfia dos sanguessugas não incrimina o ex-ministro José Serra (PSDB), eleito governador de São Paulo. ''Não há nada que possa chegar ao ex-ministro José Serra, na minha opinião'', afirmou.
Biscaia minimizou, em geral, o conteúdo do dossiê que o PT tentou comprar por R$ 1,7 milhão. Para ele, ''alguns documentos'' apresentados exigem investigação mais profunda em relação ao ex-ministro da Saúde Barjas Negri, do PSDB, e ao empresário Abel Pereira.
Ele acrescentou: ''Foi apelidado de dossiê, mas o dossiê não é nada a meu ver. É aquilo que já estava aí. Não sei como aquilo lá motivou que alguém fosse mobilizar R$ 1,7 milhão''.
O petista também disse esperar que o PT não só procure apurar internamente os desvios de conduta de seus integrantes, como afaste aqueles que efetivamente cometeram irregularidades. ''Mas parece que não é essa a postura. Eu não percebo desde o início nenhum tipo de correção interna do partido, que fosse no sentido de uma refundação'', lamentou.
Questionado se era uma referência ao presidente afastado do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), o parlamentar do Rio de Janeiro negou. ''Me referi aos antigos, que não foram cassados. Antigamente, no PT, o cara dava uma entrevista e, por aquela entrevista, sofria comissão de ética do partido. Hoje o cara é acusado de desvio de recurso e fica por isso mesmo'', afirmou, recordando o caso do mensalão.
Para Biscaia, os petistas envolvidos na compra do dossiê ''não eram peixes pequenos''. O presidente da CPI, que não foi reeleito, reafirmou não ter dúvidas de que o dinheiro usado na tentativa de compra do dossiê tem origem criminosa. ''Não falei novidade alguma. Falei a realidade.''

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