Bilhete de Lopes Filho aponta para caixa 2
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sábado, 24 de novembro de 2001
Rodrigo Sais<br>De Curitiba 
A confirmação da caligrafia de Mario Lopes Filho, coordenador financeiro do comitê pela reeleição do prefeito de Curitiba Cassio Taniguchi (PFL), num bilhete interno de campanha datado de agosto do ano passado, pode ser o elo que faltava para o Ministério Público (MP) estadual estabelecer a existência de um caixa 2. Uma perícia realizada pelo Instituto de Criminalística do Paraná indicou ser de Lopes Filho o bilhete que aponta pagamento de R$ 133,9 mil feito ao instituto de pesquisas Vox Populi. O comitê de Cassio não registrou na Justiça Eleitoral o gasto com o instituto.
No bilhete, que Lopes Filho negou ser de sua autoria em seu depoimento ao MP no dia 13 deste mês, aparecem as seguintes inscrições. ''Vox. Rita. R$ 133.934 (recibo). R$ 133.900 ($). Falta 34,00''. O valor bate com uma entrada do dia 9 de agosto do livro-caixa que está sendo investigado pelo MP. O tesoureiro da campanha de Cassio, Franciso Paladino Júnior, afirmou ao MP que o documento é autêntico, enquanto os outros membros do comitê que prestaram depoimento ao MP alegam que nunca viram o livro-caixa antes.
Além da entrada de agosto, o MP também investiga um recibo assinado por Maria Rita Silva Fonseca, que confirma que o Vox Populi recebeu uma verba de R$ 135 mil de Lopes Filho referentes à ''quitação do projeto Curitiba''. Segundo reportagem publicada no dia 6 de novembro no jornal Folha de S.Paulo, Lopes Filho teria qualificado o recibo como sendo ''uma falsificação grosseira''. Na mesma reportagem, o presidente do instituto Vox Populi afirmava que havia prestado serviços em Curitiba ''com certeza''.
Lopes Filho pode ser novamente intimado pelos promotores do MP para depor. Segundo a promotora Maria Espéria Moura, o coordenador financeiro do comitê pode ser processado por falso testemunho. ''Qualquer pessoa que faltar com a verdade nos seus depoimentos ao Ministério Público pode ser processada caso não fizer uma retratação até o final das investigações'', explica a promotora.
Apesar do laudo do Instituto de Criminalística ser bastante explicíto em afirmar que Lopes Filho é o autor da caligrafia nos documentos analisados, seu advogado, Gláucio Antonio Pereira, pretende pedir uma nova perícia. ''Os documentos são falsos, e o laudo não é conclusivo'', argumenta o advogado.
A única parte da análise que não foi considerada conclusiva na análise do Instituto de Criminalística refere-se às rubricas que supostamente pertencem a Lopes Filho, encontradas em alguns recibos não declarados à Justiça Eleitoral. Segundo o laudo, as rubricas coletadas de Lopes Filho pelos peritos diferem radicalmente na forma das encontradas nos recibos. O laudo sugere que se compare as rubricas dos documentos investigados pelo MP com rubricas ''espontaneamente lançadas, não fornecidas para exames periciais''.
Segundo o promotor Valclir Natalino, a confirmação de que Lopes Filho é o autor dos bilhetes dá mais credibilidade aos documentos, que foram entregues pelo PMDB. ''O resultado deste exame abre uma nova frente de trabalho para os promotores'' comenta. Além de Natalino, que é promotor eleitoral, os oito membros da Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público investigam o caso.


