BID não vê perigo em
eventual eleição de Lula
Agência Folha
A possibilidade de a esquerda subir ao poder no Brasil não deve ser encarada como algo perigoso. A opinião é de Ricardo Hausmann, chefe do Departamento Econômico do BID (Banco Interamericano de desenvolvimento). ‘‘A última prova de estabilidade é quando você pode ter a esquerda no poder’’, afirmou Hausmann ontem.
Ele comentava, em entrevista à imprensa, pesquisas de opinião no Brasil que indicam um aumento da popularidade da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à presidência. Hausmann citou o caso do Chile, que é presidido por uma aliança de esquerda, para reforçar sua tese.
Segundo o economista, a alternância de poder, em qualquer país é um ‘‘sinal de maturidade’’. Ex-ministro da Coordenação e Planejamento da Venezuela, em 1992, Hausmann assumiu a chefia do Departamento Econômico do BID em 1994. Ele foi ontem um dos palestrantes de um seminário sobre o futuro da América Latina, promovido em Londres pelo BID e a publicação ‘‘Latin American Newsletter’’.
Para Hausmann, as esquerdas estão sendo eleitas ao redor do mundo porque passaram a ser vistas como mais ‘‘responsáveis’’ do que eram no passado. Além disso, segundo o economista, estaria havendo uma tendência de os partidos de esquerda e direita, no mundo, adotarem uma postura mais ‘‘de centro’’.
O secretário-executivo da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe das Nações Unidas), José Antonio Ocampo, afirmou que qualquer novo governo que venha a assumir o poder no Brasil terá que dar sinais ‘‘muito fortes’’ de que apóia a estabilidade econômica. ‘‘Caso fosse eleito, Lula teria que dar uma mensagem muito clara sobre os seus planos econômicos’’, disse Ocampo, que é ex-ministro das Finanças da Colômbia. Ele ressalvou, no entanto, que ainda era muito cedo para ‘‘especular’’ sobre os resultados das eleições brasileiras. Ocampo argumentou, ainda, que, com a globalização, a autonomia dos países sobre suas próprias políticas econômicas ficou um pouco restringida, uma vez que suas medidas têm agora impacto imediato sobre outras economias.
O presidente do BID, Enrique Iglesias, afirmou que a América Latina está sofrendo uma ‘‘revolução silenciosa’’. As mudanças na região, segundo ele, passam pela melhoria na administração e gerenciamento dos setores públicos e privados.
Ao abrir o seminário sobre a América Latina Iglesias disse, ainda, que a região também está se abrindo economicamente, reduzindo as tarifas de comércio e aperfeiçoando os acordos de integração regional.

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