Curitiba - O ex-diretor-geral da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná Abib Miguel, o Bibinho, acusado de comandar um esquema que desviou milhões dos cofres do Legislativo estadual, prestou depoimento durante a tarde de ontem na 9 Vara Criminal de Curitiba, onde responde a dois processos. Da mesma forma como procedeu em ocasiões anteriores, Bibinho preferiu não se manifestar e ficou em silêncio durante todas as perguntas, de acordo com informações repassadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Em todas as ocasiões anteriores relacionadas aos processos de suposta corrupção na AL, Bibinho nunca falou. Além do ex-diretor-geral da AL, outras testemunhas relacionadas ao processo foram ouvidas pela juíza da 9 Vara Criminal, Ângela Regina Ramina de Lucca.
Bibinho foi ouvido tendo como defensor um advogado dativo, e não seu advogado particular no processo, Eurolino Sechinel dos Reis. A defesa de Bibinho tentou adiar o depoimento do réu, porque Reis informou à juíza da 9 Vara Criminal que ele tinha uma audiência de um outro cliente no mesmo horário, em Foz do Iguaçu, município da região Oeste do Estado e distante 637 quilômetros da capital. A ausência do advogado de Bibinho abre a possibilidade para que a defesa peça a nulidade do depoimento de ontem. ''O réu tem o direito de escolher o advogado que quiser'', afirmou Reis.
Para o coordenador do Gaeco - órgão responsável pelas investigações no caso de desvio de recursos e contratação de funcionários fantasmas na AL - Leonir Batisti, não ficou justificada a imprescindibilidade do advogado. ''A lei fala em nulidade quando há prejuízo para o réu'', disse, acrescentando que, se for pedida a anulação, será um ato processual considerado normal.
Depois de comparecer à audiência, Bibinho voltou para o Centro de Triagem II, no Complexo Penitenciário de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, onde está preso desde o dia 6 de março, sob a acusação de que ele estava atrapalhando o andamento dos processos.

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