O novo líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (PMDB-RN), defendeu ontem a aprovação da reforma tributária pelo Congresso ainda este ano. ‘‘Se ela não for votada este ano, não será mais neste governo’’, afirmou. Na avaliação de Bezerra, o ano 2000 será tomado pelas eleições municipais e 2001 já será marcado pela sucessão presidencial. Para ele, dificilmente o País terá novamente condições políticas tão favoráveis à aprovação da reforma tributária como tem hoje. ‘‘O governo é a favor e os presidentes da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), também são’’, disse.
Bezerra considera que somente a retomada do crescimento econômico, em bases sustentáveis, permitirá a redução das ‘‘brutais’’ desigualdades sociais brasileiras. ‘‘Para crescer é necessário, sem dúvida, reduzir os juros e isto está sendo feito pelo governo’’, afirmou. ‘‘Mas é necessário também reduzir o custo Brasil e a estrutura tributária hoje é um forte limitador da competitividade do produto brasileiro e dos investimentos produtivos’’, afirmou.
O líder disse que o presidente Fernando Henrique considera prioritária as reformas tributária e política. Ele considerou um equívoco achar que a área econômica do governo não deseja a reforma tributária, com receio de que ela possa reduzir a receita da União e, desta forma, prejudicar o ajuste fiscal. ‘‘Faço minhas as palavras do economista Afonso Celso Pastore que disse, no XI Fórum Nacional de Altos Estudos, que o governo precisa ter tolerância zero no ajuste fiscal’’, afirmou.

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