Curitiba - Assim como seu antecessor, o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), escolheu a tradicional festa da Força Sindical do Paraná em referência ao Dia do Trabalhador, realizada em frente ao Palácio Iguaçu, para sancionar o projeto de lei que reajusta o salário mínimo regional. Os organizadores acreditam que mais de 100 mil pessoas passaram pela festa, que começou às 10 horas, com uma missa do arcebispo de Curitiba Dom Moacyr Vitti e com o Padre Reginaldo Manzotti, e seguiu até o início da noite, com apresentações de duplas sertanejas.
  A sanção do reajuste de 6,9% para o piso estadual ocorreu por volta das 15 horas, quando Beto Richa subiu no palco para um discurso breve, assim como o secretário de Estado do Trabalho, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), e o prefeito de Curitiba, Luciano Ducci (PSB).
  Antes do discurso, em entrevista à imprensa, Romanelli minimizou o fato de o reajuste ter sido inferior ao concedido no ano anterior, na gestão de Roberto Requião (PMDB). ‘‘O piso daqui continua 30% acima do piso nacional na sua menor faixa e 50% na maior faixa. Nós mantivemos a diferença em relação ao salário nacional’’, afirmou ele, que foi líder do ex-governador no Legislativo. No ano passado, o reajuste ficou entre 9,5% e 21,5%, dependendo da categoria do trabalhador. Ontem, o reajuste sancionado foi de 6,9% para todas as categorias, passando de R$ 663,00 a R$ 765,00 e de R$ 708,14 a R$ 817,78.
  Romanelli também afirma que, embora em 2011 o reajuste tenha ficado próximo à cobertura inflacionária, a discussão por um aumento maior permanece. ‘‘A política de longo prazo é boa se for para poder repor a inflação. Mas os ganhos, com base no crescimento da economia, esses de fato têm que ser discutidos ano a ano’’, disse ele.
  Inicialmente, os trabalhadores cobravam um reajuste de cerca de 14%. ‘‘Confessamos que não era aquilo que queríamos lá atrás, mas achamos que era o possível de entendimento. E entendemos que podemos discutir e melhorar o ano que vem’’, ponderou Sérgio Butka, à frente da Força Sindical do Paraná. Questionado sobre a posição da CUT, que saiu insatisfeita com o reajuste inferior ao pretendido, Butka disse que ‘‘a unanimidade é burra’’:
‘‘A Central Única dos Trabalhadores foi nas negociações desde o começo, participou de todas as discussões, e na hora do fechamento não quis participar. Nós respeitamos a opinião deles, mas entendemos que quem está dentro do jogo pode jogar. Quem está fora, não pode nem dar opinião’’.
    Em entrevista, Beto Richa reforçou que se trata de um reajuste negociado: ‘‘Conseguimos chegar a um denominador comum, atendendo à expectativa dos trabalhadores e à capacidade dos empresários em poder absorver esta demanda dos trabalhadores. Esse é o papel do governo do Estado. Articular esses entendimentos, esses interesses’’.

mockup