Curitiba - O ex-prefeito de Curitiba Beto Richa (PSDB) tem as respostas na ponta da língua para falar sobre como pretende administrar o Paraná, caso eleito. ‘‘Único candidato que já sentou na cadeira do Executivo’’, como ele mesmo diz, credita grande importância à experiência adquirida. ‘‘A hora que você senta na cadeira de chefe de Executivo, a teoria na prática é muito diferente. Governar é administrar problemas e dificuldades todos os dias e materializar o sonho das pessoas’’, afirma.
  Na entrevista à FOLHA, Beto mostra que tem no companheiro de partido e ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves um exemplo de administração a ser seguido. Foi de lá que ele trouxe o modelo de ‘‘contrato de gestão’’ implantado na Prefeitura de Curitiba e que, se eleito, vai levar também para o Estado. Para ele, um bom governo depende essencialmente da adoção de uma gestão pública competente, organizada, planejada e ‘‘sem politicagem’’.
  Levantamento feito pela FOLHA mostra que mais da metade dos municípios paranaenses não têm rede de esgoto. Como solucionar o problema?
  Com uma gestão eficiente e estabelecendo prioridades. É preciso reestruturar os órgãos do Estado. No meu segundo mandato como prefeito, lancei mão de uma ferramenta muito adotada pela iniciativa privada e em gestões públicas competentes, como foi a de Aécio Neves, em Minas Gerais: o contrato de gestão. Os secretários assinam um contrato com compromisso de atingir metas e objetivos, quem não atingir sabe que será desligado da equipe. Essas empresas (Copel e Sanepar) também terão contratos de gestão e metas a cumprir. Na Sanepar, a meta é ampliar e expandir a coleta e tratamento de esgoto. Vamos investir na modernização, nos quadros técnicos da empresa, que são bons mas não foram valorizados nos últimos anos. Tenho certeza de que desta forma, com metas e aproveitando os bons quadros, vamos avançar na rede de saneamento em todo Estado.
  O levantamento mostra ainda que apenas 25% dos municípios têm ambulância equipada para fazer atendimento intensivo. Como expandir este serviço?
  A falta de investimentos em saúde é também a principal reclamação dos paranaenses. É possível equipar melhor a área da saúde pública. Discordo quando dizem que o governo estadual vem cumprindo a exigência constitucional de investir 12% das receitas líquidas do Estado em saúde. Na nossa conta, tem R$ 300 milhões desviados para outras áreas. Vamos trazer de volta estes recursos para a saúde, o que vai permitir a aquisição de ambulâncias, construção de hospitais.
  Falta presença permanente da Polícia Civil em quase metade das cidades do Paraná. Qual sua meta de aumento do efetivo policial e como fazer isso?
  Isto é urgente. Hoje o efetivo das polícias Militar e Civil do Paraná é inferior a 20 anos atrás. Vamos contratar mais policiais, reativar os módulos para garantir policiamento comunitário, investir em inteligência, estabelecer parcerias com municípios, com a sociedade e com o governo federal, para ter ações integradas com a Polícia Federal, principalmente para policiamento das fronteiras, que é por onde entram o armamento pesado e a droga para o resto do Brasil.
  No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2009, as dez escolas do Paraná com piores médias eram da rede estadual. O que o senhor pretende fazer para melhorar este desempenho das escolas estaduais?
  Em todas as minhas campanhas, a educação tem sido minha prioridade absoluta. E não é retórica. Curitiba passou de 6º  lugar no ranking nacional do MEC, conforme o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), que mede a qualidade do ensino no País, para 1º lugar. Foi às custas de prioridade, de planejamento. Eu dobrei o orçamento em educação, contratei 7 mil professores por concurso público, garanti formação continuada, implantei programas como o Comunidade Escola nos fins de semana, que prevê atividade nas escolas em horários ociosos com o convívio das famílias e da comunidade local. O segredo é equipar as escolas, valorizar os professores e fazer uma educação democrática, ouvindo a comunidade.
  Com uma coligação grande como a sua, que têm 14 partidos sustentando sua candidatura, como o senhor pretende escolher sua equipe de governo?
  Como fiz da vez passada. Eram 11 partidos e não teve problemas. Os partidos me conhecem e sabem que não abro mão de ter a melhor pessoa em cada área, tanto que troquei mais de 15 secretários ao longo do meu mandato. Não vou comprometer a administração por compromisso político, mas também não posso desprezar os partidos e têm bons nomes nestes partidos.
  No seu plano de governo, o senhor fala em ‘‘equacionar o problema do custo da tarifa social da energia’’ mas ao mesmo tempo promete manter e ampliar o programa Luz Fraterna. Como vai fazer isso?
  Do mesmo modo que falei com relação à Sanepar, com investimento, fortalecimento, expandindo as ações da Copel. A Copel não expandiu. O valor da ação Copel em 2002 era o mesmo da companhia de energia mineira, a Cemig. Hoje, ela vale 40% de uma Cemig, porque lá teve um governo com visão estratégica, que expandiu a área de atuação da Cemig. A energia é um dos itens de infraestrutura e logística mais avaliados pelas empresas e indústrias que querem se instalar num local. Quero fazer isso, expandir, modernizar, gerar energia para o desenvolvimento econômico do Estado e também fomentar o desenvovimento social com o programa Luz Fraterna. Não se trata de copiar um programa, é uma atitude responsável de um governante não destruir o que fizeram de bom. E vamos ampliar a faixa de 100kw de isenção para 130kw para beneficiar mais 30 mil famílias com o programa.
  Ainda no plano de governo, o senhor fala em ‘‘alavancar parcerias público-priva-das’’ no Estado. Estas parcerias seriam para que projetos e áreas?
  Muitas áreas, como por exemplo na recuperação de espaços públicos. Na Prefeitura nós fizemos isto com o Jardim Botânico e com o Passo da Liberdade, por exemplo. Neste último caso foi feita parceria com a Federação do Comércio e Sesc, a custo zero, apenas assinei um comodato de 20 anos, mas não serão eles que usarão o espaço, que foi transformado em um centro cultural. Foi um presente para Curitiba e economia de R$ 8,5 milhões para a Prefeitura. Se a iniciativa privada e entidades virem seriedade na administração, eles investem.
  Seu plano de governo afirma que manterá o controle público das empresas. O que o senhor pensa das privatizações?
  Não sou privatista, vou manter as empresas sob o controle do Estado, a Copel, Sanepar, o Porto de Paranaguá. No porto, vamos investir, modernizar, garantir a competitividade que ele não tem, pois perdeu a eficiência por falta de prioridade. O Banestado é um caso à parte, ele estava quebrado, trazendo prejuízos ao Paraná, não tinha outra forma.


FICHA DO CANDIDATO

Nome para urna: Beto Richa
Partido/coligação: PSDB/Coligação Novo Paraná: PSDB-DEM-PSB-PP-PPS-PTB-PMN-PHS-PTC-PSDC-PRP-PTN-PSL-PRB
Nome completo:
Carlos Alberto Richa
Data de nascimento:
29 de julho de 1965
Local de nascimento: Londrina
Estado civil: casado com Fernanda Bernardi Vieira Richa
Filhos: Marcelo, André e Rodrigo
Formação: Engenharia
Civil - Pontifícia Universidade
Católica - Curitiba-PR
Cargos eletivos que exerceu: Deputado estadual em 1994 e 1998. Em 2000, foi eleito vice-prefeito de Curitiba, tendo exercido também a função de Secretário Municipal de Obras. Em 2004, foi eleito prefeito de Curitiba e reeleito em 2008.
Partidos que já pertenceu: PSDB
Limite declarado de gastos de campanha: R$ 42 milhões
Valor total dos bens declarados à Justiça Eleitoral: R$ 5.191.342,92

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