Beto Richa outra vez
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de janeiro de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Beto Richa outra vez
Se a Lava Jato, que chegou em Lula, acabaria por alcançar gente da terra e pela segunda vez pegou o ex-governador Beto Richa, cuja prisão decorre de operações com a Odebrecht em obra não realizada, mas faturada. Se o ex-presidente, com maior taxa de malfeitos como os do tríplex de Guarujá e do sítio de Atibaia, e de distância longínqua foi flagrado, era de prever-se que os atos de improbidade, aqui praticados, não escapariam à vigilância de policiais federais e procuradores da República, num dos desdobramentos específicos da maior operação nacional contra a corrupção e a impunidade.
Na hora em que a questão das estradas e do pedágio entrou no foco das investigações, o que se ampliaria com a atuação do Gaeco em cima da administração do Departamento de Estradas de Rodagem, na qual uma delação premiada fixa a degradação do governo, houve ainda o chuncho das patrulhas rurais, o que revela o nível de criatividade da corrupção praticada.
Paranaenses já haviam aparecido com destaque no mensalão com Janene e André Vargas, e o que está ocorrendo agora é uma lupa numa série delituosa mais abrangente. De ingênuo, como se costumava dizer, o Paraná nada tem.
Prensa
Reitores das universidades estaduais precisarão mudar sua linha de argumentos, aquela centrada na tal da autonomia, com as auditorias sequenciais do Tribunal de Contas, um verdadeiro "pente fino", voltadas para gratificações e horas extras em função de relatório da Sexta Inspetoria de Controle Externo como anomalias mais frequentes. Em nome da autonomia é que se desenvolve a gastança abrangendo a gratificação integral e dedicação exclusiva (Tide), sem previsão legal na visão dos fiscais.
Como se desenvolve outra auditoria, determinada por Ratinho Junior, nas folhas de pagamento do funcionalismo, o mesmo tipo de apreciação estará presente em torno de gratificações e horas extras que no mínimo renderão trombadas administrativas e também judiciais, isso sem falar no agito político que a acompanhará.
Na perspectiva política essa mediação da Corte de Contas apenas complementa e dá rumo prático ao esforço de auditagem nas folhas do funcionalismo. Munição para uma guerra sindical, desagradável, mas necessária, porque o Paraná não é, como sugeria Beto Richa, aquele oásis criado pelos marqueteiros.
Complicação
Todo ato daqui para a frente, de natureza defensiva do governo no caso das revelações do Coaf, mesmo que vise desburocratizar, como argumentou o vice- presidente, ao justificar mudança que facilita o sigilo de dados, pega mal. Alteração nas regras por decreto da Lei de Acesso à Informação permitindo que o segundo e terceiro escalões possam classificar dados do governo como secretos e ultrassecretos soa como antinômica à fala do próprio presidente Jair Bolsonaro de que o filho mais velho se obriga a responder pelos atos praticados.
Todos nesses momentos ficam de olho no ministro da Justiça, Sergio Moro, e lá em Davos ele foi claro sobre a medida do Banco Central, protetora de parentes de políticos "talvez não estejam propondo a coisa certa." É que esse fluxo, na concepção do ex-juiz, é fundamental para o combate à lavagem de dinheiro, peça estratégica na luta contra a corrupção, como se viu em todo o desenvolvimento da Lava Jato e anteriormente da "Mãos Limpas" italiana.
Chantagem
A pretexto de evitar a bilhetagem automática, que dispensaria cobradores, o sindicato da categoria, o Sindimoc, vai manter um clima de guerra na negociação salarial e isso já está evidenciado no pedido de 10% de reajuste salarial, bem acima dos níveis praticados e da taxa de inflação. O sindicato vai de cara pintada para o debate com os patrões, mesmo sabendo que se pretende ganhar o máximo de tempo para adotar a mudança tecnológica. Estoura em cima do usuário o peso dessa disputa. O corte integral dos cobradores baixaria em até 15% a tarifa, mas criaria o caos para oito mil cobradores.
Superação
O feito de uma garota prodígio no vestiba da Federal é um destaque nacional: com apenas 15 anos, Natãmy Nakano passou em Medicina. Mesmo diagnosticada com a Síndrome de Asperge, uma variedade de autismo, desde os 13 anos, a jovem, desde os dois anos, sonhava em ser médica e agora já se aproxima desse feito com o início das aulas a 4 de fevereiro.
Folclore
Com a reação do Exército na defesa do presidente Maduro é visível que a crise passa por solução negociada. Mesmo divididas as forças armadas deixaram claro que tudo farão pela "legalidade", claro, a deles e não a de Guaidó e dos Esteites, do Brasil e mais doze países. Da prisão à crítica de Lula a Bolsonaro: "Não cuida nem do filho e quer cuidar do país alheio?" É o roto rindo do remendado: se Bolsonaro se descuidou do filho, Lula cuidou demais.


