Beto Richa nega manutenção de funcionário fantasma
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Pelo menos mais um funcionário fantasma foi contratado de forma suspeita pela Assembléia Legislativa do Paraná. É o que afirma uma ação popular movida pela bacharel em Direito Gisele Gemin Loeper e pelo advogado Antonio Carlos Ferreira. De acordo com a denúncia, o empresário Luiz Abi Antoun, de Cambé, teria sido contratado no dia 1º de fevereiro de 2001 para trabalhar no gabinete de Beto Richa (PSDB). A contratação poderia ser normal, se Beto já não fosse deputado estadual e não tivesse assumido no dia 1º de janeiro do mesmo ano o mandato de vice-prefeito de Curitiba, numa composição com Cassio Taniguchi (DEM). Beto foi deputado estadual entre os anos de 1995 e 2000.
Em entrevista exclusiva à FOLHA, Beto negou participar de qualquer contratação irregular feita dentro da Assembléia Legislativa. Ele mesmo teria exonerado todos seus funcionários. A FOLHA consultou dados do Diário da Assembléia e confirmou: segundo o ato da Comissão Executiva nº 011/2001 foram exonerados nove funcionários - entre eles Verônica Durau (sogra de Ezequias Moreira, ex-assessor especial de Beto Richa. Ela estava contratada irregularmente na Assembléia Legislativa) e Luiz Abi Antoun. No entanto, segundo Ferreira, Antoun foi recontratado para cumprir tempo integral e dedicação exclusiva no gabinete inexistente de Beto a partir de 1º de fevereiro de 2001 - pouco depois da exoneração.
''Se houve alguma recontratação oficial, registrada em anais, não foi pelo meu gabinete. Não teve minha interferência. É algo interno da Assembléia Legislativa. Eu tinha meu gabinete de vice-prefeito com 11 funcionários aqui na Prefeitura de Curitiba e nem me recordo todos os contratados'', salientou o prefeito.
Além de Beto, a ação judicial é contra os deputados estaduais Caíto Quintana (PMDB) e Augustinho Zucchi (PDT), o ex-deputado e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TC) Hermas Brandão e contra o próprio Antoun. Na petição encaminhada ao Tribunal de Justiça (TJ), há a qualificiação de Quintana, Brandão e Zucchi como responsáveis pela assinatura da contratação supostamente irregular por serem os membros da Mesa Executiva da Assembléia Legislativa.
Beto atribuiu a ação judicial a um ato isolado e praticado por opositores com vistas nas eleições deste ano. ''Isso é obra da oposição. Eles estão querendo criar fatos políticos''. Na ação, Ferreira critica a dificuldade na obtenção de documentos na Assembléia Legislativa que teria criado como um ''Conselho Paraestatal que mantém sobre a batuta de alguns o comando das atividades de controle da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, e porque não dizer-se junto a diversos órgãos públicos''. De acordo com o texto, os poderes Legislativo e Executivo recusam-se sistematicamente a fornecer cópias reprográficas a particular.
Um dos agravantes da ação é o fato de o Diário da Assembléia apenas publicar a contratação de Antoun no dia 23 de outubro de 2001, de forma retroativa ao dia 8 de fevereiro. O mais sério é que Antoun continuaria exercendo o cargo em comissão até a presente data, recebendo os valores sem comparecer à Assembléia Legislativa. ''De forma estranha ele está contratado sem precisar aparecer para exercer um cargo num gabinete inexistente por seis anos e sete meses'', reclamou Ferreira.
A ação pede medida liminar para impugnação da contratação irregular e devolução dos valores recebidos indevidamente com acréscimo de juros e correção monetária, custas e honorários advocatícios.


