Curitiba - O governador do Estado, Beto Richa (PSDB), foi retirado da ação que corre na Justiça Eleitoral para apurar suposto ''Caixa 2'' na sua campanha eleitoral de 2008, quando o tucano disputava a reeleição para a Prefeitura de Curitiba. A decisão, publicada em Diário Oficial na quinta-feira, é da juíza Luciane Ludovico. Segundo ela, a ação em relação a Beto perdeu seu objeto quando o tucano renunciou ao mandato no ano passado para disputar a eleição ao governo do Estado.
Movida pelos partidos PRTB, PT, PMDB, PSC e PCdoB, a ação pede a cassação do mandato do tucano e de seu vice na eleição, Luciano Ducci (PSB), que agora está à frente do Executivo da Capital. ''Não há que se falar em efeito (inelegibilidade), se a causa (cassação do mandato) não poderá existir'', diz trecho do despacho. Em relação a Ducci, contudo, a ação continua tramitando.
A advogada dos partidos de oposição, Carla Karpstein, disse ontem à reportagem que não vai recorrer. ''Embora a gente tenha um ou outro questionamento, a decisão está correta. Na lei, não há mais punição porque ele renunciou ao mandato'', disse ela, acrescentando que a acusação também não quer mais postergar o andamento do processo. ''Estamos há quase dois anos discutindo só questão processual, manobras para adiar a decisão de mérito. Nós queremos que as testemunhas sejam ouvidas, que o processo ande. Se houvesse um recurso nosso, a ação travava de novo'', argumentou ela.
A juíza negou, contudo, o arquivamento da ação para Ducci, que alegava que o pedido de cassação estava prescrito. ''Quando a representação foi apresentada (em junho de 2009) não havia prazo fixado em lei para a sua propositura'', escreveu ela. A juíza lembra que o prazo de 15 dias da diplomação do eleito para propor a cassação só foi estabelecido numa lei prevista em setembro de 2009, ou seja, depois que a representação contra Beto e Ducci tinha sido protocolada.
A ação tramita na 1 Zona Eleitoral de Curitiba. Os partidos de oposição sustentam a cassação alegando que, na campanha eleitoral de 2008, houve distribuição de dinheiro não declarado ao Comitê Lealdade, formado por dissidentes do PRTB em prol da candidatura de Beto e Ducci.

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