Beto Richa e mais 12 são réus na Radiopatrulha
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de novembro de 2018
Agência Estado 
São Paulo, 31 (AE) - A Justiça do Paraná colocou no banco dos réus o ex-governador Beto Richa (PSDB) e mais 12 denunciados na Operação Radiopatrulha - investigação sobre suposto esquema de propinas no âmbito de contratos de manutenção de estradas rurais.
A decisão foi tomada pelo juiz Fernando Fischer, que recebeu acusação formal do Ministério Público do Estado. Segundo a denúncia da Promotoria, "o total dos pagamentos efetuados pelo Estado do Paraná às empresas conluiadas foi de R$ 101.905.930,58".
"Considerando a porcentagem prometida de propina - 8% sobre o bruto -, o valor global das vantagens indevidas recebidas pelos agentes públicos denunciados foi da ordem de R$ 8.152.474,44", sustenta o Ministério Público.
No dia 11 de setembro, Richa chegou a ser preso por ordem de Fischer, mas acabou solto por decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O Ministério Público também acusa o irmão do tucano, Pepe Richa, que foi secretário de Infraestrutura do Estado, e o ex-chefe de gabinete Deonilson Roldo. A mulher de Beto Richa, Fernanda, e o contador da família, Dirceu Pupo Ferreira, também foram presos na Radiopatrulha e soltos por Gilmar.
Fernanda não foi denunciada pela Promotoria. Ela não é ré no processo.
Richa também é investigado na Operação Lava Jato, que fez buscas em sua residência no mesmo dia da prisão. A Lava Jato suspeita de ligação do ex-governador com propinas da Odebrecht, que teria sido favorecida em contrato de duplicação da PR323, no interior do Paraná. À RPC TV, as defesas de Beto, Pepe e Roldo disseram que vão se manifestar somente no processo.
ABI ANTOUN
O juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina, Juliano Nanuncio, quer saber a localização e qual o estado de saúde de Luiz Abi Antoun, após ele não ter retornado de uma viagem internacional ao Líbano e faltado a audiências judiciais no mês de outubro. A viagem foi autorizada pela Justiça. O despacho, datado desta terça-feira (30), também questiona qual o endereço exato dele no Oriente Médio.
Preso, provisoriamente, pela primeira vez na Operação Voldemort, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), que descreveu uma fraude com recursos estaduais para contratação emergencial de uma oficina mecânica em Cambé, Antoun já foi condenado por envolvimento neste processo e na Operação Publicano, mas responde em liberdade.
No dia 11 de setembro de 2018, ele voltou a ser detido na Operação Radiopatrulha, que investiga irregularidades no programa Patrulha do Campo, do governo estadual, mas voltou a ser solto. Mais tarde, em nova fase da Operação Integração, um novo mandado de prisão contra Antoun deixou de ser cumprido porque ele estava em viagem ao Líbano, com autorização do próprio juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina.
A defesa de Antoun protocolou nos autos judiciais cópias de laudos médicos em português, inglês e em árabe - este, com tradução para o português. Neste último, um médico com diploma francês diagnostica inflamação e alergia no peito, com falta de ar e febre. Também aponta problemas cardíacos.
DEFESA
Nas manifestações nos autos, o advogado Anderson Mariano, que defende Antoun, alerta que o réu fica impossibilitado de comparecer às audiências enquanto não houver liberação médica para viagens aéreas e pede compreensão com a situação. "O profissional que elaborou o atestado médico prescreveu repouso total e acompanhamento por um período de um mês, sem possibilidade de viajar de avião durante este período", alegou o advogado, em manifestação datada de 19 de outubro.Anderson Mariano afirmou que seu cliente retornará ao Brasil assim que possível.


