"Quando a gente é inocentado a repercussão não é a mesma", disse o ex-governador Beto Richa (PSDB) em entrevista à FOLHA nesta quinta-feira (26). O tucano se referiu ao trancamento da ação penal feito a pedido do Ministério Público Federal que requereu ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) na terça (24) que conceda um habeas corpus do ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB).

A Procuradoria havia acusado Richa pelo "emprego indevido de R$ 100 mil recebidos do Fundo Nacional da Saúde, no período compreendido entre 14 de novembro de 2006 e 31 de dezembro de 2008, período em que ocupou o cargo de prefeito de Curitiba. "A pessoa não precisa ter conhecimento jurídico para identificar isso. Uma funcionária de carreira desvia esse dinheiro para conta dela. Qual minha obrigação? Abri investigação administrativa e ela foi demitida".

O ex-governador também comentou sobre o 'elevador jurídico' que se tornou outro processo onde é investigado por suposto favorecimento à Odebrecht em troca de dinheiro para a campanha de reeleição ao governo, em 2014. A justiça eleitoral devolveu ao juiz federal Sérgio Moro o inquérito que apura se o ex-governador cometeu crimes no processo de licitação para duplicação da PR-323. "A Lava Jato foi criada para investigar desvios da Petrobras, esta PPP (Parceria Publico Privada) tem o que com a estatal? Essa PPP nunca aconteceu. Nenhum centavo do Estado foi gasto. Até a acusação da PGR (Procuradoria Geral) também reconhece que não deve ser remetido para a 13ª vara federal. Vou falar o quê? "

PUBLICANO
Já em tom de desabafo, o ex-governador também comentou sobre o arquivamento do inquérito feito em março pela A 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu arquivar, por nulidade de provas, inquérito no âmbito da Operação Publicano, que mirou supostos pagamentos de R$ 2 milhões em caixa dois para a campanha do governador do Paraná Beto Richa (PSDB) em 2014.
"Outra injustiça. Vocês sabem quanto eu sofri. E o que sobrou em um ano e meio? R$ 5 mil de dividendos no meu comitê que ninguém sabe de onde veio? A Operação Publicano foi deflagrada em 2015, contra um esquema de corrupção e sonegação de tributos que teria lesado o erário em até R$ 500 milhões. A delação do ex-auditor Luiz Antônio de Souza, peça chave das investigações, foi alvo de questionamento por advogados de defesa de Richa por ter sido homologada pela Justiça Federal em Londrina, e não pelo STF (Supremo Tribunal Federal).


FAKE NEWS
Richa desmentiu rumores de que a esposa Fernanda Richa deixaria a Secretaria de Desenvolvimento Social do governo Cida Borguetti (PP) por suposto desgaste entre ele e o deputado Ricardo Barros, marido de Cida. "Ela mesmo já mandou desmentir. Não vou dizer que ela não sai. Mas neste momento não tem nada disso. ", disse.

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