São Paulo - O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), uma das lideranças tucanas que esteve presente na noite de segunda-feira (10), em um encontro do partido em São Paulo, disse que a legenda "saiu como entrou da reunião" e não teria decidido nada concreto em relação ao desembarque ou permanência na base do governo Michel Temer.

"Eu sugeri que se convocasse a Executiva para que uma posição fosse tomada", disse Richa. Apesar disso, o governador afirmou que, "na prática" o partido está agindo de forma independente nesse processo. "Nós fomos o único partido da base que não trocou nenhum membro da CCJ". Beto Richa acredita que dos 7 votos do partido na Comissão de Constituição e Justiça, 5 ou 6 seriam contrários ao presidente Temer. "Vai ser 6 x 1 ou 5 x 2", afirmou.

Para Richa, a proporção de votos pela admissibilidade da denúncia contra Temer deve se repetir no plenário da Câmara. "É inegável que o número de descontentes com o governo aumentou. E a situação do governo deteriorou-se", declara. O governador repete o discurso de que o compromisso do PSDB seria com a retomada do crescimento e com a aprovação das reformas - e não com a manutenção do governo.

Sobre a postura do PSDB caso o presidente seja atingido por novas denúncias, Richa preferiu não se antecipar. "O importante é que a gente mantenha a linha de independência", diz.

SILÊNCIO

Apesar de ensaiar o desembarque do governo do presidente Michel Temer, os deputados do PSDB entraram mudos e saíram calados da sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O PSDB é hoje o maior partido da base aliada do governo.

Dos sete titulares, apenas cinco participaram segunda-feira (10) da reunião, na qual o relator do processo, deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ), apresentou parecer favorável à admissibilidade da denúncia contra Temer.
Segundo o deputado Betinho Gomes (PSDB-PE), a sessão não era para discutir o parecer, apenas para ouvir o relator e a defesa de Temer. "Houve duas posições, a oposição querendo fazer espetáculo e o governo, que está no seu papel, fazendo a defesa do presidente. Hoje era o momento de ouvir, não de espernear", disse.

Além de Betinho, estiveram presentes na CCJ os deputados Elizeu Dionizio (PSDB-MS), Fábio Sousa (PSDB-GO), Jutahy Júnior (PSDB-BA) e Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG). O suplente Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) também marcou presença. Não participaram do encontro os deputados Silvio Torres (PSDB-SP) e Rocha (PSDB-AC).

A expectativa é de que seis dos sete deputados titulares do partido votem pela admissibilidade da denúncia na CCJ.

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