Beto Richa chama dono da Valor de "criminoso contumaz" e "mentiroso""
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segunda-feira, 04 de setembro de 2017
Guilherme Marconi<br>Reportagem Local 

"É mentira. Todas as acusações que me fazem são absolutamente falsas", com essa declaração o governador Beto Richa (PSDB) abriu coletiva de imprensa nesta segunda-feira (4) onde negou envolvimento no suposto conluio para desvio de verba na construção de escolas para abastecer a campanhas políticas no Paraná em 2014. As informações vieram à tona com o vazamento do acordo de colaboração feito entre o MPF (Ministério Público Federal) e o do dono da construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, em reportagem publicada pela "Folha de S. Paulo" na última sexta-feira (1).
Richa qualificou o delator de "criminoso contumaz" e "mentiroso" e disse que "nunca esteve com ele, não o conhece, nunca pediu dinheiro ou autorizou alguém a pedir em seu nome". "Ele inventou uma historinha com uma narrativa envolvendo o governador (que sou eu) para conseguir a liberdade." O governador enfatizou ainda que vai entrar com uma ação criminal na Justiça contra o empresário por danos morais por conta das declarações que ele chamou de "levianas e caluniosas".
Segundo o delator, foram pagos R$ 12 milhões de propina a um intermediário do governador. Esses recursos teriam sido entregues em um banheiro da Secretaria de Educação (Seed) e camuflado em caixas de garrafas de vinho. Nesse montante, estaria incluída uma mesada de R$ 100 mil, destinada a abastecer as campanhas de Beto em 2014 e de parentes seus em 2018.
Além do governador, foram citados pelo delator no suposto esquema sua vice Cida Borghetti (PP) e o marido dela e ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP); o chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni (PSDB); o presidente da Assembleia, Ademar Traiano (PSDB); o conselheiro do Tribunal de Contas, Durval Amaral; e os deputados estaduais Thiago Amaral (PSB) e Plauto Miró (DEM). A delação ainda precisa ser homologada a Justiça. Todos negaram veementemente as acusações por meio de nota encaminhadas pelas assessorias à FOLHA na última sexta (1).
SINDICÂNCIA
Em relação às denúncias descobertas pela Operação Quadro Negro que envolveram irregularidades nas obras de seis escolas, Richa disse que tomou as primeiras iniciativas para punir a empresa Valor. "Quando recebemos algumas denúncias de superfaturamento de obras, nós encaminhamos prontamente para sindicância na Secretaria de Educação e posteriormente na Polícia Civil. Contra a construtora, aplicamos multas e estamos aguardando indenizações."
Questionado sobre os aditivos feitos nos contratos das obras, Richa se defendeu dizendo que foi a 12ª pessoa no governo a assinar tais documentos. "Não tem como eu parar para ver se eu vou assinar o aditivo e desconfiar de 11 pessoas, técnicos, secretários, engenheiros que avalizaram aquele contrato."
O governador disse ainda que tem pressa em restabelecer as obras nas escolas que não foram concluídas no contrato com a Valor. "Ficaram paradas inclusive por determinação do Ministério Público, mas as licitações e os editais já estão fixados para imediata realização dessas obras."
Sobre as acusações de caixa 2 de campanha, Richa informou ainda que as prestações de contas foram apresentadas e aprovadas pela Justiça Eleitoral. "A mais detalhada prestação de contas é da minha campanha. São mais de 20 folhas", respondeu.
Na única ação penal resultado da Operação Quadro Negro deflagrada pelo Ministério Público, o empresário e agora delator Eduardo Lopes de Souza estava em prisão domiciliar até o mês passado, quando foi liberado pela Justiça para se mudar para Cuiabá, no Mato Grosso. O caso rendeu outros 15 processos na esfera cível, entre eles sete ações de improbidade administrativas protocoladas pelo MP.


