Curitiba - A briga pessoal entre o governador Roberto Requião (PMDB) e o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), começou a atingir a capital paranaense. Enquanto os dois trocam acusações, o município perde recursos que seriam usados em obras estratégicas (como a construção de novos postos de saúde). Beto admite que os recursos estaduais estão cortados por problemas pessoais que teriam iniciado quando o prefeito tucano decidiu apoiar o senador Osmar Dias (PDT) no segundo turno das eleições governamentais no ano passado. ''A Secretaria de Desenvolvimento Urbano foi clara. Não virão recursos para o município de Curitiba. Ele (Requião) cancelou todos os financiamentos de obras para a capital. Ele é um irresponsável. Antes da campanha eu era um excelente administrador. Agora ele me vê como inimigo'', disparou Beto, durante o lançamento de 78 obras viárias para Curitiba, na Vila Parolim.
A reação ousada de Beto ocorreu após o pronunciamento de Requião na reunião do secretariado da última terça-feira, vinculando um suposto desvio de recursos na ordem de R$ 10 milhões do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) no final do governo Jaime Lerner (PSB) à campanha de Beto ao governo do Estado em 2002. O diretor financeiro do DER era o irmão de Beto, José Richa Filho. O dinheiro saiu dos cofres estaduais no dia 31 de dezembro de 2002 - último dia de governo - para pagamento de uma obra rodoviária feita na primeira gestão de Requião. O então diretor-presidente da construtora responsável pela obra, Darci Fantin, teria confidenciado a Requião que o dinheiro era para pagamento da publicitária Cila Reginal Schulmann - responsável pelo marketing da campanha de Richa.
Requião responde processo por ter feito a mesma acusação no dia 12 de abril de 2004. ''E vai ser processado também pela minha família e pelo Scalco (Euclides, um dos coordenadores da campanha de Osmar Dias na eleição do ano passado e citado por Requião). Ele (Requião) está acostumado a destruir famílias. É hora de dar um basta. A verdade é que ele não aceita o resultado da eleição: 60% do povo paranaense não quis ele como governador'', respondeu o prefeito. Beto lembrou que foi elogiado por Requião várias vezes. O pai dele, José Richa, que teria feito campanha pelo governador teria sido traído por ele na eleição de 1990. Osmar era parceiro de Requião no Senado e convidado para ser seu vice no ano passado. Agora seria tratado como inimigo. Scalco era parceiro de Requião até 2002. ''Não dá para levar a sério as críticas de Requião. As críticas são mera conveniência política. Ele é um covarde. Ele fala muito, faz pouco e não responde nada''.
Beto acusou Requião de estar antecipando a campanha eleitoral do ano que vem - quando o prefeito deverá concorrer a reeleição. ''Ele mandou milícias percorrerem os bairros de Curitiba para denegrir minha imagem. Não vai conseguir. Tenho obras para mostrar. Ele sim tem o que esconder. Ele precisa explicar o superfaturamento do saneamento no litoral e de compras de televisores para o Estado'', considerou. Beto negou ter recebido qualquer dinheiro na campanha por parte do governo do Estado. ''Já notifiquei o empresário para saber se ele realmente falou algo ao governador'', disse Beto.
O empresário Darci Fantin, em nota de esclarecimento divulgada ontem à imprensa, lamentou o episódio e negou que tenha ocorrido qualquer conversa com o governador sobre o assunto. ''Trata-se de absoluta inverdade''. Em outro trecho da nota, Fantin afirma que coloca ''à disposição do governador e da Justiça a abertura do sigilo sobre o uso dos R$ 10 milhões recebidos legalmente por serviços prestados por minha empresa ao DER do Paraná''.
(Colaborou Catarina Scortecci)

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