Beto Richa acredita em relação harmoniosa com Dilma Rousseff
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domingo, 05 de dezembro de 2010
Evandro Fadel<br>Agência Estado 
Curitiba - Cauteloso nas palavras, empenhado sempre em amaciar conflitos, o governador eleito do Paraná, Beto Richa (PSDB), disse à reportagem que acha possível, mesmo para um oposicionista, trabalhar com a presidente eleita Dilma Rousseff (PT) ''Acredito nisso, sim Ela foi eleita para governar todo o País, não apenas os Estados onde venceu Do mesmo modo que eu, eleito governador, vou atuar no Paraná inteiro, de forma indiscriminada'', diz ele
Vitorioso, em primeiro turno, diante de uma forte coalizão que apoiou seu rival Osmar Dias (PDT), Beto entende que ser governador de oposição não será problema: ''Entendo que o papel de fazer oposição cabe aos parlamentares O governador tem é de buscar as parcerias (com o governo federal)''
Beto diz que se sentiu tranquilo ao ouvir a presidente eleita afirmar, logo após sua vitória, que pretende manter relações republicanas e respeitar os governadores de partidos adversários ''Acho que essa é a obrigação de todos os que foram eleitos'', acrescenta Acompanhando ''de longe'' as primeiras decisões da presidente eleita, o tucano evita comentar os nomes já anunciados para seu ministério ''Boa parte desses nomes eu não conheço'', defende-se
Enquanto forma sua equipe e se organiza para a posse, daqui a 26 dias, Beto tem, paralelamente, duas preocupações Uma, a arrumação econômica do Estado, cujos números, segundo levantamentos de sua equipe, apontam uma situação difícil, que exigirá iniciativas fortes e imediatas A segunda preocupação é a arrumação interna do PSDB, cujas lideranças saíram da derrota presidencial divididas quanto à forma de se reorganizar para o futuro
'Guerra fica'
Filho de um dos fundadores do partido - José Richa, que governou o Paraná de 1983 a 1986 - o governador eleito discorda das lideranças tucanas que pretendem mudar o presidente do PSDB: Sérgio Guerra ''foi um bom presidente, posso testemunhar sua condução competente'', afirma
O futuro governador paranaense define uma linha de trabalho para recuperar o partido: ''O PSDB só vai dar certo se estiver nas mãos de todos Nem paulistas, nem mineiros, mas nas mãos de todos'' Por isso, o que é necessário, na sua opinião, é ''uma volta às origens'' - que não significa refundação -, e a correção de um dos grandes males que marcaram a atuação dos tucanos: a falta de proximidade com a população, ''coisa que o PT tem e que o PSDB ainda tem dificuldade de conseguir''
Depois de admitir que São Paulo é o maior Estado e Minas tem grande peso, com a liderança de Aécio Neves, Richa diz que não vê dificuldades em conseguir essa composição ''E isso é vital para o sucesso do PSDB'', afirma Na prática, ele sugere ''uma reunião em que todos possam contar o que aconteceu em suas regiões'' Assim, os tucanos podem ''repensar as estratégias e seguir em frente sem haver divisão''


