Beto rebate críticas sobre privatização da Sanepar
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sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Mariana Franco Ramos<br>Equipe Bonde 
Curitiba - O governador Beto Richa (PSDB) garantiu que irá sancionar o projeto de lei 395/13, que autoriza a abertura de capital da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). Ele negou as críticas da oposição na Assembleia Legislativa (AL), que apontam o novo acordo de acionistas como o início da privatização da Sanepar. "Não há a menor possibilidade. Assumimos com as ações cotadas em R$ 2 e hoje elas já chegam próximas a R$ 7", respondeu Beto.
Aprovado em menos de 48 horas pelos deputados estaduais, o projeto autoriza o lançamento de R$ 781,1 milhões em ações preferenciais (sem direito a voto) no mercado. Os papeis vão direto para pagar parte da dívida da empresa com o governo, que chega a pouco mais de R$ 1 bilhão, e poderiam ser dados como garantia em operações de crédito e financiamento. O restante,
R$ 283 milhões, seria quitado em dinheiro. O governador não comentou o boato que essas ações poderiam ser negociadas já por sua gestão, para aumentar o fluxo de caixa.
"(A abertura de capital da Sanepar) é um projeto importante, que estrutura as questões de dívidas da Sanepar no Estado. Isso dá segurança financeira e segurança jurídica a essa companhia que é uma das mais respeitadas do Brasil e que teve no nosso governo uma nova gestão, uma nova governança, com grande aumento das suas ações cotadas em bolsas", afirmou Beto. As declarações foram dadas durante reunião do Fórum Nacional de Secretarias Estaduais do Trabalho, realizado ontem em Curitiba.
A bancada de oposição na AL solicitou ao governo cópia do estudo que estabeleceu o valor das ações da Sanepar. Na Bolsa de Valores elas são negociadas a R$ 6,90, mas a Sanepar considera para efeito dessa abertura de capital o custo de R$ 12,75 por ação preferencial. Esse valor é uma média de projeções feitas pelos bancos BBI, BTG/Pactual e Credit Suisse, a pedido da Sanepar. O cálculo não usa o método do preço de tela, cujo valor é idêntico ao negociado na Bolsa de Valores, e sim o "fluxo de caixa descontado", que contabiliza projeções de crescimento da companhia.
Para o deputado estadual Tadeu Veneri (PT), um dos contrários à proposta, a transação mostra que o Estado "tem grandes problemas de gerenciamento dos recursos públicos". Já o senador Roberto Requião (PMDB) disse que a sociedade precisa pressionar os parlamentares que foram favoráveis ao lançamento de mais ações da Sanepar no mercado financeiro. "Vamos anotar os nomes desses deputados", sugeriu o ex-governador pela internet.


