Beto nega tráfico de influência em empréstimo do TJ
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quarta-feira, 09 de outubro de 2013
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
Londrina - O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), negou ontem, em Londrina, relação entre a nomeação do ex-deputado estadual Fábio Camargo como conselheiro do Tribunal de Contas (TC) do Estado e a aprovação de projeto de lei que repassa 30% dos depósitos judiciais de posse do Tribunal de Justiça (TJ) para o Executivo. A proposta foi elaborada conjuntamente entre Executivo e o Judiciário à época em que Clayton Camargo, pai do conselheiro, era presidente TJ. A proposta foi aprovada na Assembleia Legislativa, onde Beto possui ampla maioria, apenas dias depois em que Fábio foi eleito conselheiro, também através dos votos de deputados estaduais.
Durante sua passagem pelas obras da PR-445, o governador afirmou que o repasse de parte dos depósitos é do interesse do governo e que já ocorre, por exemplo, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, onde há pareceres favoráveis para a transferência. "Isso é normal, ocorreu em vários outros Estados em que o desembargador Clayton não tinha influência", disse.
A suspeita do tráfico de influência foi mencionada durante a decisão do plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que afastou Clayton do cargo de desembargador e abriu um processo disciplinar contra ele, na terça-feira. O magistrado é investigado por supostas transações comerciais suspeitas, venda de sentenças, além de tráfico de influência.
A última acusação tem como base pedido de providências do CNJ para apurar a interferência do desembargador afastado para eleger seu filho para o TC. Em seu voto, o relator do processo e corregedor nacional de Justiça, ministro Francisco Falcão, cita observação do Ministério Público Federal (MPF) sobre a autorização, pelo Órgão Especial do TJ, do projeto que repassa parte dos depósitos judiciais para o Executivo no mesmo dia em que Fábio conquistou a cadeira no TC.
Em nota oficial, Fábio afirmou anteontem confiar no arquivamento da investigação e que não houve tráfico de influência "em uma eleição que poucas vezes se viu tão disputada, e em que o voto é secreto". Clayton não se manifestou à imprensa.


