O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), justificou aumento dos impostos para diversos produtos e serviços a partir do ano que vem no Estado. Os projetos de lei com os "ajustes fiscais" - apelidado da tarifaço pela oposição -, conforme classificou ele, foram aprovados pela Assembleia Legislativa (AL) do Paraná na terça-feira, quando a sessão foi transformada em comissão geral. Ontem pela manhã, antes de instalar oficialmente a sede do governo estadual em Londrina, Beto negou, durante entrevista coletiva, que a dificuldade financeira do Paraná seja problema de gestão. "Não é problema de gestão, tanto que os números que o Paraná apresenta hoje falam por si só. Ao longo da administração, o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu mais que o dobro do que cresceu no Brasil."
Alheio ao protesto de estudantes das universidades estaduais de Londrina e Maringá na entrada do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) – transformado em sede do governo -, Beto participou em Londrina do primeiro evento público logo após a aprovação do "pacote de austeridade". O governador afirmou que o aumento na arrecadação é necessário para "garantir um pouco mais de tranquilidade e para que o Paraná não perca a capacidade de investimento, até nos preparando para os momentos difíceis que são anunciados para o ano que vem".
Questionado sobre a tarifação nos produtos da cesta básica, Beto evitou falar em recuo, apenas confirmou a apresentação do substitutivo – já aprovado – que mantém a isenção de ICMS para os gêneros populares. A proposta inicial tributava produtos como arroz feijão, carne e manteiga.
Embora ainda não esteja empossado, o futuro secretário de Fazenda, Mauro Ricardo Costa, já está falando em nome do governo, conforme declaração de Beto, informando que Costa ficou encarregado de explicar as "medidas amargas" ao empresariado paranaense. "Conversamos com o setor (empresarial) ainda nesta semana, o nosso secretário da Fazenda, Mauro Ricardo, deu todas as explicações. Me parece que convenceu a maioria dos representantes do setor."
Sobre a taxação em 11% sobre os salários dos servidores aposentados que ganham mais que R$ 4,3 mil, o governador colocou a responsabilidade na lei. "A contribuição dos inativos é uma exigência da Constituição Federal. Até agora não estávamos cumprindo e recorríamos a liminares para obter a certidão de regularidade previdenciária e sem essa certidão, o Estado fica bloqueado, não pode contrair operações de crédito."
Durante o governo provisório em Londrina, Beto esteve acompanhado de 18 secretários, teve audiências com o prefeito Alexandre Kireeff (PSD) e prefeitos da região para a assinatura de contratos de financiamentos junto ao Banco Regional de Desenvolvimento Econômico (BRDE) e a Fomento Paraná, além da entrega simbólica de um trecho da duplicação da rodovia PR-445.

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