Curitiba - Uma suposta denúncia protocolada no Ministério Público (MP) do Estado apontando a existência de uma funcionária ''fantasma'' na Assembléia Legislativa, e ligada ao chefe de gabinete da Prefeitura de Curitiba, esquentou ontem os bastidores políticos na capital. A assessoria de imprensa do MP informou que, de fato, foi protocolada uma suposta denúncia na Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público no último dia 2. A suposta denúncia, no entanto, ainda não foi analisada. O MP, portanto, não sabe ainda se iniciará ou não uma investigação sobre o assunto.
O advogado Alessandro Ravazzani, que protocolou a suposta denúncia, disse que o seu primo, Marcos Ravazzani, é quem teria recebido informações e provas sobre o caso. O advogado afirma que Veronica Durau, sogra do chefe de gabinete da Prefeitura de Curitiba, Ezequias Moreira Rodrigues, é funcionária ''fantasma'' da Assembléia Legislativa. Além disso, Veronica receberia o salário do Legislativo a partir de um gabinete, também ''fantasma'', do ex-deputado estadual e hoje prefeito da capital, Beto Richa (PSDB). Para comprovar o suposto esquema, o advogado afirma ter um olerite, referente ao último mês de junho, que pertence a Veronica e no qual aparece o nome do prefeito.
O presidente da Assembléia, Nelson Justus (DEM), informou que estuda a abertura de uma sindicância para apurar a veracidade do olerite com o nome do prefeito. Ao consultar a lista de funcionários da Casa, Justus acrescentou, no entanto, que Veronica estaria lotada na liderança do PSDB e que ela já esteve lotada também no gabinete do ex-deputado estadual Beto Richa. O líder do PSDB, deputado Ademar Traiano, confirma a informação. ''É uma funcionária antiga da Casa'', relata ele. Ao ser questionado sobre as funções da funcionária, Traiano afirmou que ela faria ''de tudo um pouco''.
O advogado afirmou que Veronica teria mais de 70 anos de idade e que ''nunca apareceu'' na Casa, desde 1992, quando teria começado a receber os salários.
A Secretaria Municipal da Comunicação Social da Prefeitura de Curitiba enviou uma nota sobre o caso: ''O prefeito Beto Richa deixou de ser deputado estadual em dezembro de 2000 e, desde então, não tem mais nenhum vínculo com a Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, razão pela qual não possui nenhum funcionário sob sua responsabilidade no Poder Legislativo. Em relação ao seu chefe de gabinete, o prefeito informa que Ezequias Moreira Rodrigues trabalha há mais de 20 anos com a família Richa, tendo sido inclusive chefe de gabinete do governador José Richa (1983-1987), e conta com a sua confiança. O prefeito não conhece nenhum fato que desabone a sua vida pública''.
A reportagem não conseguiu contato com Ezequias Moreira Rodrigues, que estava em viagem. Sua sogra, Veronica, também não foi encontrada.

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