Curitiba - O governador Beto Richa (PSDB) disse que vai mandar apurar se houve excesso por parte dos policiais militares (PMs) ontem no confronto com manifestantes e servidores estaduais no Centro Cívico. Ele disse que assistiu a vídeos da confusão e nas cenas não identificou abuso por parte da Polícia. Segundo Beto Richa, as imagens mostravam black blocs retirando pedras do calçamento para atirar nos policiais e manifestantes tentando tirar uma das grades de contenção para invadir a Assembleia Legislativa (AL). "Naturalmente, eles reagiram, até para defender as suas integridades físicas. Mas eu orientei o nosso secretário de Segurança e o comandante da Policia Militar (PM) que a Polícia evitasse ao máximo o confronto, evitasse ao máximo agressões e que ninguém saísse ferido", afirmou.
Beto Richa disse que a solicitação da presença de policiais de segurança em torno do prédio da AL veio do Judiciário e que a definição do número de PMs necessários para o trabalho partiu da Secretaria de Segurança Pública. "Os policiais fizeram o cordão de isolamento do prédio da Assembleia em respeito a essa instituição democrática que não poderia ser invadida, como aconteceu da última vez (em fevereiro), quando o pânico se instalou no plenário", justificou.
Para o governador, a greve dos professores não se justifica, ressaltando que ele concedeu o maior aumento salarial da história do Paraná aos professores, cerca de 60% nos últimos quatro anos, além de outros benefícios. "Eu não mereço essa injustiça, um governo que tão bem tratou os professores", disse. "O governo anterior deixou o Fundo Previdenciário com R$ 4 bilhões. Hoje são R$ 8,5 bilhões. A solvência do Fundo Previdenciário que o Requião (ex-governador Roberto Requião/PMDB) me deixou era de 10 anos. Essa proposta joga para 29 anos a solvência com aporte previsto em 2021 de R$ 1 bilhão. Dos royalties de Itaipu nós esticamos essa solvência para 35 anos." Ele garantiu que o risco dos servidores perderem a aposentadoria é "zero".
Beto disse que não teme a comparação desse episódio de ontem com o ocorrido em 1988 no governo de Alvaro Dias, quando a cavalaria da PM foi usada para conter manifestação de professores e estudantes. "A minha popularidade pode oscilar. Tenho responsabilidades com o Estado do Paraná e eu não fujo dessas responsabilidades. A obrigação de todo o governante responsável não é a todo momento ficar se preocupando em apresentar medidas e ações simpáticas, populares, que lhe garantam uma grande aprovação popular. Temos também que ter a coragem, no momento de necessidade, de apresentar medidas amargas, muitas vezes, medidas impopulares". Segundo ele, se não aprovasse a proposta hoje de restruturação do Fundo Previdenciário, o Estado não teria como pagar os custos de mais 30 mil aposentadorias previstas para os próximos cinco anos, representando R$ 200 milhões.

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