Beto não está entre investigados da Publicano, responde juiz
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quarta-feira, 03 de junho de 2015
Loriane Comeli Reportagem Local 
Ao analisar petição da defesa do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), o juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio, afirmou que embora o político seja citado na segunda fase da Operação Publicano que apura a forma de atuação e membros de uma organização criminosa supostamente instalada na Receita Estadual de Londrina, o chefe do Executivo estadual não é um dos investigados. "... o requerente não é investigado diretamente, malgrado haja menções ao seu nome em alguns depoimentos", escreveu o juiz em despacho publicado ontem.
A petição assinada por René Ariel Dotti, constituído há cerca de um mês para defender Beto Richa e a primeira-dama Fernanda Richa, tinha objetivo de obter acesso aos depoimentos (que são sigilosos) e, posteriormente, uma espécie de atestado de que o governador não é um dos investigados pela operação. Isto porque o nome do governador nome teria sido citado pelo auditor da Receita de Londrina, Luiz Antonio de Souza, em acordo de delação premiada.
Segundo seu advogado, Eduardo Duarte Ferreira, Souza declarou que auditores arrecadaram, em 2014, R$ 2 milhões para a campanha de reeleição do tucano. A ordem teria partido de Luiz Abi Antoun, parente distante de Beto e figura com trânsito livre no Palácio do Iguaçu. Abi, embora sem ocupar cargos no governo, "dava ordens" na Receita, conforme Souza. Teria indicado para inspetor-geral de Fiscalização da Receita do Paraná Márcio Albuquerque de Lima, apontado como líder da organização criminosa na primeira fase da operação. E Lima é quem teria repassado a ordem de arrecadar cerca de R$ 2 milhões para campanha eleitoral.
À FOLHA, Dotti afirmou que o fundamental na decisão é que o governador não é investigado. "Quanto ao fato de ser mencionado em depoimentos, precisamos avaliar se são depoimentos de algum relevo. Podem ser declarações vagas ou mesmo com interesse políticos. O fundamental é que o governado não está sendo investigado", declarou o advogado. Investigações criminais envolvendo governadores necessariamente deslocam a competência para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).


