O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), mantém a proposta de revogar o reajuste escalonado prometido ao funcionalismo em 2015, após a greve de 46 dias dos servidores públicos. Na época, o acordo foi a alternativa negociada para encerrar a paralisação que ficou marcada pelo "massacre do Centro Cívico", quando a Polícia Militar (PM) reprimiu o movimento na capital, no dia 29 de abril do ano passado.
Em Londrina, para a assinatura de convênio com a Pontifícia Universidade Católica (PUC), que doou terreno para a construção do hospital da Zona Oeste (leia mais no Cidades), Beto disse que o governo não tem condições de pagar aos servidores estaduais, ao mesmo tempo, o reajuste e as progressões em atraso. "É uma demanda muito forte e algumas categorias, por meio de sindicatos que as representam, manifestaram a vontade de receber o mais rápido possível as progressões e promoções que ainda estão em atraso. Eu paguei promoções e progressões que herdei do governo anterior, só de professores foram R$ 70 milhões. Então, o que estamos tentando mudar na lei é dizer que a prioridade do governo é pagá-las, inclusive colocar em dia as de 2015 e de 2016. A partir daí, tratar da questão do reajuste dos servidores, conforme o desempenho da economia."
Questionado sobre a ausência dessa previsão na proposta apresentada à categoria há um ano, o governador apontou para a retração econômica nacional, principal causa do encurtamento do caixa dos estados. "A economia deteriorou, tanto na iniciativa privada quanto na administração pública, e nós estamos inseridos nessa crise. Não escolhemos isso, mas nos adaptamos para enfrentamento." Beto também tratou do tema no seu discurso durante a solenidade na PUC e afirmou que o estado do Paraná "é o único que deu aumento de 10,67% aos servidores, então tem que haver esse reconhecimento em um momento de muita crise".
Segundo o presidente em Londrina do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública (APP-Sindicato), Márcio André Ribeiro, se o governo enviar o projeto de revogação para a Assembleia Legislativa (AL), os professores avançarão do atual estado de greve para a paralisação. "A questão do reajuste foi um acordo firmado para o encerramento da greve dos servidores públicos na frente de um juiz e faziam parte também as progressões e promoções. Fizemos o acordo e cumprimos a nossa parte, repusemos todas as aulas, todos os dias letivos, não houve prejuízo aos alunos, mas parece que o governador quer romper esse acordo unilateralmente. É lamentável da parte do governador."

Acordo
O reajuste escalonado, aprovado pela AL, prevê que a administração pagaria 3,45% em outubro, referentes à inflação de maio a dezembro de 2015, e mais 10,67% em janeiro, correspondente ao ano passado. As perdas de 2016, por sua vez, seriam quitadas em janeiro de 2017. Os servidores também ganhariam um adicional de 1%.

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