O candidato do PSDB ao Governo do Estado, Beto Richa, endureceu ontem em Londrina o tom das críticas contra o adversário, o senador Osmar Dias (PDT). Beto chegou à cidade de helicóptero no maior colégio eleitoral, a Zona Norte, de onde partiu em carreata pelas principais ruas e avenidas da região até o comitê regional inaugurado, no fim do dia, no cruzamento da Avenida Leste-Oeste com a rua Bahia - no barracão da antiga Intercontinental de Café. À noite, o candidato e os postulantes ao Senado Ricardo Barros (PP) e Gustavo Fruet (PSDB) visitaram a Redação da FOLHA, onde foram recebidos pelo superintendente da empresa, José Eduardo de Andrade Vieira.
Cercado de militantes do próprio partido e de representantes das 14 siglas que compõem a coligação, entre as quais PTB, PPS, PSB, PMN, PTN e PTC, em coletiva, Beto criticou as tentativas de Osmar de atrelá-lo às privatizações feitas nas duas gestões do ex-governador Jaime Lerner (PSB) e rechaçou ainda afirmações da campanha adversária de que um número superior de prefeitos apoia o senador, em detrimento do tucano.
''Na minha contabilidade tenho mais apoio de prefeitos que ele; evidente que alguns têm receio de se expor talvez por medo de retaliação de outras esferas de governo. Mas a campanha está só começando, tenho uma agenda extensa de trabalho, só que eu gosto, tenho disposição para o trabalho, pois tenho vitalidade para isso, graças a Deus.'' Sobre o fato de ser de Londrina, definiu: ''Sou nascido e criado aqui, meu pai foi prefeito aqui na década de 70, temos raízes e ligações fortes com essa cidade que tem grandes potenciais que são mau explorados''.
Sobre o ex-governador, indagado se isso afetaria o eixo de debate na campanha, resumiu: ''É uma maldade dele (Osmar) fazer esse atrelamento; isso demonstra o tipo de política do século passado, de ataques vazios. Agora ele me ataca, mas há três semanas me enviou uma carta assinada de próprio punho querendo se coligar a mim'', disse, para completar: ''Só que ele se esquece que na última campanha o Lerner estava abraçado com ele na convenção. Não adianta fazer ilações maldosas, é só ver o tipo de gestão como eu administro e como meu pai (o ex-governador José Richa) fazia''.
Indagado sobre a presença de nomes ligados a Lerner também em sua campanha - caso da ex-vice governadora Emília Belinati (PSB), candidata a deputada estadual, ontem na carreata -, Beto elogiou a coligada e, em outro tom, defendeu que há ''bons nomes'' que trabalharam com o ex-governador dos dois lados da atual campanha.
''Com muito orgulho a Emília está conosco; é uma pessoa boa. Precisa se desmistificar essa situação de que todo mundo que trabalhou com o Lerner não presta. Muitos ligados ao Lerner estão do lado de lá - o maior pupilo do ex-governador se chama Rafael Greca e está do outro lado, assim como Reinhold Stephanes (candidato a deputado do PMDB), que acho íntegro e honesto'', afirmou. ''Quem tem uma coligação recheada de contradições não sou eu; não faço política no desespero, fazendo qualquer tipo de ajuntamento em função das conveniências de momento, eleitoreiras, só para ganhar as eleições'', alfinetou.

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